Publicado em 06/10/2016 às 06:30 PM

'Cidade parece fantasma', diz brasileiro que mora na Flórida

'Moradores taparam janelas com madeiras', diz Daniel Rocha. Presidente Barack Obama decretou estado de emergência.

Pessoas caminham perto de casas destruídas pela passagem do furacão Matthew em Jeremir, no Haiti (Foto: Reuters/Carlos Garcia Rawlins) Pessoas caminham perto de casas destruídas pela passagem do furacão Matthew em Jeremir, no Haiti (Foto: Reuters/Carlos Garcia Rawlins)

O estudante brasileiro Daniel Rocha, natural de Itapetininga (SP) e que há mais de um ano mora em Pompano Beach, cidade a aproximadamente 60 quilômetros de Miami, nos Estados Unidos, contou ao G1 que a sensação é de temor diante da notícia da chegada do furacão Matthew, considerado o mais forte da última década no Oceano Atlântico e que matou mais de 100 pessoas no Haiti.

De acordo Daniel, ninguém está nas ruas e todos foram para suas casas. “A cidade parece fantasma e todos estão dentro de suas casas. Agora à tarde está chovendo com ventos de 90 quilômetros por hora. Por enquanto vou ficar em casa, onde moro com um primo. Mas se fizerem o anúncio, vamos ter que sair”, descreve o estudante.

Segundo Daniel, os vizinhos estão estocando comida e fechando as janelas com madeiras. “Os vizinhos colocaram madeiras nas janelas e estão em pânico. Eu estoquei comida e água, porque a previsão é de ventos de 200 quilômetros por hora hoje a noite”, afirma.

Ainda de acordo com o brasileiro, as ruas estão desertas e há dificuldade para encontrar gasolina nos postos de combustíveis. "Os supermercados estão vazios, não tem mais nada. Todo mundo já estocou água e alimento porque provavelmente o furacão vai estar chegando na nossa cidade. A categoria desse furacão é quatro numa escala até cinco. A gente torce para que não chegue na nossa cidade. Se ele realmente passar vai causar muitos estragos. Por enquanto está chovendo e ventando pouco", ressalta.

O Matthew

O município mais afetado do Haiti foi o de Roche-à-Bateau, no sul do país, onde a poderosa tempestade matou mais de 100 pessoas, segundo o deputado do departamento do sul, Ostin Pierre-Louis.

O fenômeno Matthew atingiu o Haiti e Cuba como um furacão de categoria 4, em uma escala de 5, pelo Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos. Depois, foi rebaixado à categoria 3. Mas ao passar pelo noroeste das Bahamas no trajeto em direção à costa atlântica da Flórida, voltou a subir para a 4.

A tempestade pode atingir diretamente a Flórida ou passar logo ao lado do litoral do estado na noite desta quinta-feira. Os danos podem ser "catastróficos" se o furacão se abater diretamente sobre a Flórida, alertou o governador Rick Scott, exortando cerca de 1,5 milhão de pessoas a obedecerem a ordens de retirada.

Nesta quarta, o presidente americano Barak Obama alertou para a chegada do furacão no país. Os governos da Flórida, Geórgia, e Carolina do Sul emitiram ordem de evacuação aos moradores do litoral. De acordo com o canal Weather Channel, mais de 12 milhões de habitantes dos EUA estão sujeitos a avisos e alertas de furacão.

Ao decretar o estado de emergência federal, o presidente permite desbloquear rapidamente recursos federais de assistência e que as agências de segurança interior (DHS) e de gestão de situações de emergência (FEMA), coordenem os trabalhos de resgate.

O furacão Matthew já é considerado o mais poderoso do Atlântico em quase uma década. Fotos de satélite retiradas pela Agência Espacial dos EUA (NASA) mostram o tamanho do fenômeno climático e seu potencial de devastação.

Devastação no Haiti

No Haiti, os ventos chegaram a 230 km/h, provocaram deslizamentos de terra e destruíram casas. Mais de 9 mil pessoas foram levadas para abrigar-se em escolas, igrejas e outros centros comunitários, disse Guillaume Albert Moléon, porta-voz do Ministério do Interior haitiano.

O Haiti tem 10 milhões de habitantes – sendo 4 milhões crianças – e milhares de pessoas ainda vivem em barracas de campanha desde o devastador terremoto de 2010. Além disso, a erosão é muito perigosa devido às montanhas e o desmatamento.

Entre as áreas mais vulneráveis do país estão bairros extremamente pobres e densamente povoados como Cite Soleil – onde 100 mil de seus 500 mil residentes enfrentam sérios riscos de inundação – e Cite L'Eternel, no litoral.

O Conselho Eleitoral Provisório do Haiti (CEP) anunciou nesta quarta-feira (5) o adiamento das eleições gerais previstas para o próximo domingo, dia 9, por conta dos danos.

Efeito na República Dominicana

Na República Dominicana, o último balanço indicava que três crianças e um adulto morreram na capital Santo Domingo nos desmoronamentos provocados pelas intensas chuvas do Matthew, que gerou o deslocamento de mais de 18 mil pessoas em todo o país, informou nesta terça-feira o Centro de Operações de Emergências (COE).

Na Jamaica, o exército e reservas militares assistiam as instruções de emergência, e ônibus eram enviados para evacuar as pessoas das zonas mais vulneráveis. Em Cuba, a passagem do furacão provocou a retirada de 1,3 milhão de pessoas de suas casas.

O Matthew representa o maior desafio ao sistema de alerta e prevenção de emergências de Cuba desde 2012, quando o furacão Sandy (categoria 2) deixou 11 mortos e provocou grande destruição em Santiago de Cuba, de acordo com a France Presse.

Fonte: http://g1.globo.com/