Publicado em 03/01/2017 às 01:00 PM

Congresso republicano toma posse com agenda conservadora nos EUA

Congresso republicano toma posse com agenda conservadora nos EUA

WASHINGTON — Por seis anos, desde que tomaram de volta a Câmara dos Representantes, os republicanos aumentaram a pilha de leis que ficaram mofando na Casa Branca. Em sua agenda frustrada, regulações financeiras deveriam ser removidas. Impostos sobre as empresas deveriam ser cortados. A ONG Planned Parenthood, que ajuda a realizar abortos, deixaria de receber recursos federais. O Obamacare seria revogado — dezenas de vezes. Com o Congresso que toma posse nesta terça-feira, com republicanos à frente da Câmara e do Senado, muitas dessas leis formarão a mais ambiciosa agenda política conservadora desde os anos 1920. E, em vez de um presidente democrata no caminho, estará Donald Trump — que parece pronto a assinar muitas delas.

A dinâmica mostra como o Congresso está preparado para avançar sua reforma conservadora, e quão pouco o estilo imprevisível de Trump é importante para o plano republicano. Plano que estava sendo preparado há muito tempo. Quase a agenda inteira já foi escrutinada, promovida e trabalhada por republicanos e centros de estudo que olham para a Casa Branca menos pela liderança e mais para a cerimônia de assinaturas.

Em 2012, Grover Norquist, presidente da Americans for Tax Reform, descreveu o presidente ideal como um “republicano com habilidades suficientes para segurar uma caneta” e “assinar a lei que já está sendo preparada”. Em 2015, quando o Senado republicano usou manobras procedimentais para minar uma potencial obstrução democrata e votar para tentar revogar a lei de assistência médica de Obama, o grupo de defesa conservadora Heritage Action descreveu o processo como “um ensaio para 2017, quando esperamos ter um presidente disposto a assinar um projeto de revogação total”.

— O que eu disse aos nossos comitês há um ano atrás foi: suponha que você consiga a Casa Branca e o Congresso — disse o presidente da Câmara, o republicano Paul Ryan, numa entrevista depois das eleições. — Chegará 2018, e o que você quer ter realizado? As negociações com o governo Trump eram em sua maioria uma estratégia de execução.

Obstrução ficou mais difícil no senado

Os democratas perceberam após a eleição que os republicanos do Congresso estavam prontos para ter mais influência sobre a agenda nacional em 2017 do que os democratas tinham após a eleição de 2008 — que colocou Obama na Casa Branca com o seu partido no controle do Capitólio. Respondendo à Grande Recessão, eles passaram o primeiro mês de transição em 2009 debruçados sobre um pacote de US$ 831 bilhões, e os assessores de Obama tinham a esperança de aprová-lo com uma supermaioria bipartidária. Todos os republicanos na Câmara e quase todos os senadores republicanos, com exceção de três, se opuseram a ele, e apenas 20 dias após a posse, protestos do Tea Party tomaram as ruas contra o pacote.

Os republicanos estão agora estudando formas para desfazer muitas das regulamentações e ordens decretadas por Obama, incluindo as emitidas depois da vitória de Trump e projetadas para solidificar o legado ambiental do presidente democrata. Em dezembro, o conservador Freedom House Caucus compilou uma lista de mais de 200 regulamentações que considera vulneráveis a serem revogadas. Elas incluem padrões de merenda escolar “onerosas”, leis sobre tabaco e termos do acordo de mudança climática assinado em Paris.

No curto prazo, os democratas estão focados mais nas escolhas de Gabinete de Trump e na sua iminente escolha para a vaga na Suprema Corte. Em 2017, graças à mudança promovida pelos democratas nas leis de obstrução, os republicanos já não precisam obter 60 votos no Senado: apenas de maioria simples para qualquer cargo no governo ou para qualquer vaga judiciária em tribunal inferior ao Supremo. Isso dará aos republicanos mais espaço e tempo para aprovar leis. O choque depois de serem derrotados numa eleição que poucas pessoas esperavam que eles poderiam perder, e a capacidade de Trump para atrair a atenção da mídia, vão tornar mais difícil que eles transformem as batalhas perdidas no Congresso em manchetes de jornal.

— Não há dúvida de que veremos um maior número de pessoas sem seguro (de saúde), mais desempregados e mais crianças com notas baixas — disse Keith Ellison, um dos principais candidatos à liderança do Comitê Nacional Democrata. — Mas se pensarmos que Trump irá criar condições ruins e que isso será suficiente para que os democratas vençam, estamos absolutamente errados.

Fonte: http://extra.globo.com/noticias/mundo