Publicado em 01/03/2017 às 09:00 AM

Brasileiros indocumentados, alvos da Lava Jato, são presos em Miami (FL)

Força-tarefa apura pagamento de propina de US$ 40 milhões em 10 anos. Jorge Luz e o filho Bruno Luz devem chegaram ao Brasil no sábado (25)

Acusados de corrupção no Brasil, brasileiros viviam ilegalmente na Flórida Acusados de corrupção no Brasil, brasileiros viviam ilegalmente na Flórida

Jorge Luz e o filho dele Bruno Luz, alvos da 38ª fase da Operação Lava Jato, foram presos nesta sexta-feira (24), em Miami, Flórida. A prisão foi possível, de acordo com o delegado delegado federal Maurício Moscardi, graças à cooperação internacional da polícia de imigração americana (Immigration and Customs Enforcement – ICE) com a Polícia Federal (PF) brasileira.

Segundo a PF, os dois haviam omitido informações às autoridades americanas e também estariam irregulares no país. O advogado Gustavo Teixeira informou que Bruno Luz foi abordado pela polícia americana quando saía de casa, prestou esclarecimentou e informou que ele e o pai estavam com passagem de volta para o Brasil comprada.

Ele chegaram ao Brasil, no Aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília, no sábado (25).

Segundo a PF, eles só serão levados à Superintendência da Polícia Federal em Curitiba na quinta-feira (2), porque o valor das passagens aéreas, nesta época de Carnaval, está muito alto.

Os dois tiveram a prisão preventiva decretada na recente etapa da Lava Jato, deflagrada na quinta-feira (23). A força-tarefa da operação apura o pagamento de US$ 40 milhões de propinas durante 10 anos. Segundo as investigações, entre os beneficiários, há senadores e outros políticos, além de diretores e gerentes da Petrobras.

Jorge Luz e Bruno Luz são apontados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal (MPF) como operadores financeiros ligados ao PMDB no esquema de corrupção e desvio de dinheiro dentro da Petrobras.

A defesa de Jorge Luz e Bruno Luz afirmou que os clientes já foram ouvidos em inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) que envolvem pessoas com foro privilegiado, que os depoimentos foram prestados quando os dois já estavam fora do Brasil e que eles estão dispostos a colaborar com as investigações.

A suspeita é a de que Jorge e Bruno tenham atuado em pelo menos cinco episódios. Conforme o MPF, os dois faziam o meio de campo entre quem queria pagar e quem queria receber propina envolvendo contratos com a Petrobras. Para tanto, usavam contas no exterior, como na Suíça e nas Bahamas.

Ainda de acordo com o MPF, os operadores atuavam, principalmente, na Área Internacional da Petrobras, que tinha indicação política do PMDB. No entanto, em um dado momento, ambos passaram a solicitar propina para o PMDB também em outras diretorias da Petrobras.

Os mandados protocolados pela força-tarefa tiveram como base principal os depoimentos de colaborações premiadas reforçados pela apresentação de informações documentais, além de provas levantadas por intermédio de cooperação jurídica internacional.

A operação foi batizada de Blackout e, além dos dois mandados de prisão, teve 16 mandados de busca e apreensão expedidos.

Fonte: Brazilian Times