Publicado em 15/03/2017 às 04:30 PM

Filhos de indocumentados tornam-se oficiais de xerifes na Florida

Filhos de indocumentados tornam-se oficiais de xerifes na Florida

Os três filhos de imigrantes indocumentados atuam na aplicação da lei e proteção da comunidade Os três filhos de imigrantes indocumentados atuam na aplicação da lei e proteção da comunidade

Os olhos de Pantaleon Galarza brilhavam enquanto observava seus três meninos crescidos conversando e brincando na entrada da casa, na Praise Road, em Pierson (Florida). Dois deles usavam os uniformes verdes do escritório do Xerife do Condado de Volusia. O terceiro vestia roupas normais, mas tinha um distintivo de detetive.

Ele lembrou as dificuldades que ele e sua falecida esposa tiveram que enfrentar, há 38 anos, para oferecer esta oportunidade para os seus filhos. Mas por que pensar no passado quando havia tanto para comemorar? O homem, hoje com 65 anos, olhava orgulhoso os filhos: Roy Galarza, de 33 anos, é investigador do escritório do xerife do condado de Volusia, Daniel Galarza, 35 anos, é um oficial de patrulha rodoviária em Deltona, e Billy Galarza, de 24 anos, prestou recentemente juramento diante do xerife Mike Chitwood e recebeu o distintivo de detetive.

Os rapazes são os primeiros da comunidade de trabalhadores imigrantes a se tornarem oficiais de xerife, disse Marcos Crisanto, coordenador do escritório da Associação de Trabalhadores da Flórida em Pierson. "Há outras pessoas que tiveram sucesso na comunidade imigrantes, mas como policiais, eles são os únicos", disse.

Com as tensões e medo na comunidade imigrante em meio a ameaças de deportação do presidente Donald Trump, os irmãos Galarza ajudam a amenizar o temor das pessoas, sensibilizar a comunidade e criar uma proximidade entre ela e a polícia. O xerife Mike Chitwood chamou a família dos imigrantes de "uma grande história americana".

Segundo ele, os irmãos Galarza são sinais indicadores do sucesso americano. "Este pai imigrante deu para o condado de Volusia três jovens decentes cujos empregos são para fazer cumprir e respeitar a lei e a Constituição dos Estados Unidos. Seus pais vieram do México à procura de uma vida melhor, e seus filhos estão agora a proteger vidas e servindo a nossa comunidade", disse.

A HISTÓRIA

Pantaleon Galarza ainda se lembra de como chegou perto de desistir do sonho americano. Ele e sua esposa, Minerva, estavam trilhando o caminho para os EUA, na fronteira com o México através do deserto de Acuna.

Galarza tinha pagou para traficantes, conhecidos como os coiotes, a quantia de US$ 1.500 para que sua família atravessasse com segurança pelo deserto. Mas os homens abandonaram o casal e seus dois filhos pequenos após Minerva torcer o tornozelo e não poder andar.

Depois de vários dias no deserto, eles estavam com falta de comida e água. Galarza segurou a filha de 3 anos nos braços. Seu filho de 4 anos, andava junto, segurando nas calças. A escolha era óbvia: “voltar para o México”.

Mas a determinação de sua esposa foi o que Galarza precisou para seguir em frente, mesmo quando ela estava com o pé inchado e se apoiou nele para andar. Naquele momento, quando estavam sozinhos, no deserto escuro e desolado, a escolha que fizeram deu a sua família o futuro que não teriam tido se voltassem para Michoacán, no México. "Ela disse: 'Vamos em frente, se a migra nos pegar, então voltaremos'", lembrou Galarza. "Mas quando Deus permite, coisas funcionam milagrosamente", continuou.

No começo as coisas não foram muito fáceis. Em 1980, os produtores de samambaias pagavam 12 centavos por feixe de samambaia cortada. Mas era o suficiente para alimentar a esperança que Galarza tinha em oferecer uma vida melhor para os seus filhos. Ele e Minerva tiveram mais três filhos e mais duas filhas antes dela morrer de câncer, em maio de 2002.

Fonte: Brazilian Times