Publicado em 20/04/2017 às 10:12 PM

ROTA DA MORTE: Sonho americano continua a fazer migrantes arriscarem a vida em travessia ilegal

Centenas de pessoas cruzam o México a pé para tentar chegar aos EUA. Em fevereiro, um brasileiro morreu afogado enquanto fazia o percurso.

Programa registra travessia de imigrantes na fronteira Programa registra travessia de imigrantes na fronteira

A rota ilegal entre México e Estados Unidos tem feito várias vítimas. Nos últimos cinco meses, pelo menos três brasileiros morreram fazendo essa travessia. Mas isso não impede que migrantes se arrisquem todos os dias em busca do sonho americano. Os repórteres Caco Barcellos e Danielle Zampollo, da Rede Globo, caminharam ao lado de migrantes da América Central que decidiram cruzar o México a pé até os Estados Unidos.

Outra maneira usada para chegar ao país é embarcar no trem de carga "La Bestia", que sai de Arriaga, no sul do México. Os repórteres Estevan Muniz e Erik Von Poser embarcaram no trem e viram de perto o drama de migrantes que se arriscam no jeito mais rápido e perigoso de chegar aos Estados Unidos clandestinamente. Muitos migrantes morrem ou ficam mutilados ao saltar do trem para fugir da fiscalização e dos assaltantes.

Trem da morte

Muitos migrantes morrem ou ficam mutilados ao saltar do trem "La Bestia", também conhecido como “trem da morte”. Depois de duas tentativas frustradas, Estevan Muniz e Erik Von Poser conseguem embarcar com o trem parado em um vagão. Boa parte do percurso os migrantes fazem abaixados dentro do vagão de carga para não chamar a atenção do lado de fora. Kevin faz o percurso com a mulher e outras pessoas da família. “Sei que é perigosa essa viagem, mas quem não arrisca não ganha. Se acontecer algo, sei que foi vontade de Deus. Eu sei que Deus tem alguma coisa linda para mim”. Ele acaba sendo pego pela fiscalização, mas foge. Sua mulher é deportada para Honduras.

Travessia a pé

Caco Barcellos e Danielle Zampollo acompanharam a travessia de migrantes da América Central que decidiram cruzar o México a pé até os Estados Unidos. Duzentas pessoas enfrentaram sede, fome e exaustão ao caminhar debaixo de muito sol e um calor de 40 graus.

Vilma, mãe de um bebê de 20 dias, é uma das pessoas que tenta cruzar o país. Além do bebê, ela carrega roupas, leite e água. “É muito difícil, mas o que vamos fazer? Temos que seguir em frente.” Outras crianças também caminham com os pais. “Só quero um futuro melhor”, diz uma placa segurada por uma criança.

No grupo havia mulheres com crianças de colo, idosos, cadeirantes e um homem de muletas ferido no pé. Francisco foi baleado por assaltantes ao tentar fazer o caminho sozinho. Três meses depois, ele segue ferido rumo aos Estados Unidos e acredita que conseguirá chegar. “Sim, é possível. Tudo se pode na vida”, diz ele.

Brasileiro morre na travessia

Júlio Barcellos, 35 anos, morador do interior de Rondônia, é um dos brasileiros que morreu ao tentar fazer a travessia entre México e Estados Unidos de forma ilegal. Ele já tinha morado ilegalmente nos Estados Unidos por nove anos. Júlio morreu em fevereiro tentando voltar para lá. Seu corpo foi encontrado no rio, na fronteira com o México. “Ele queria muito voltar a morar nos Estados Unidos, era o sonho dele”, diz o irmão de Júlio, Ananias Barcellos. Ele já tinha dado mais de R$ 50 mil a um coiote brasileiro para fazer a travessia. Um laudo mexicano diz que a morte foi por afogamento.

Fonte: Brazilian Times