Publicado em 05/05/2017 às 04:00 PM

Brasileira ajuda a acolher imigrantes impedidos de pedir asilo nos EUA

Brasileira ajuda a acolher imigrantes impedidos de pedir asilo nos EUA

Armando espera do lado de fora de um abrigo para ver a esposa e filha Armando espera do lado de fora de um abrigo para ver a esposa e filha

Mary Galvan, uma freira brasileira que dirige a Madre Assunta, um abrigo para mulheres e meninas em Tijuana, tem sido uma das pessoas que mais ajudam os imigrantes que são impedidos de pedir asilo nos Estados Unidos. Ela disse que os requerentes passam semanas preparando documentos para provar seus casos e muitas vezes retornam em horas porque são impedidos de passar pela fronteira, sem uma entrevista ou falar com um advogado.

É o caso de Francisca, Armando e seus dois filhos que chegaram à fronteira dos Estados Unidos no final de fevereiro, estavam famintos, exaustos e praticamente sem dinheiro. Mas o casal, que disse que um filho tinha sido morto por um grupo em El Salvador e que sua filha tinha sido quase estuprada, pensou que finalmente tinha alcançado a segurança.

Sob a lei dos Estados Unidos e a lei internacional, todas as pessoas que pedem asilo, supostamente obtém êxito em permanecer no país para defender seus argumentos. Mas, em vez disso, segundo o casal, um agente da patrulha fronteiriça os espantou. “Não há asilo aqui”, teria dito o oficial para Francisca, que tem 32 anos de idade

Os agentes aduaneiros impediram a família de pedir asilo, sem uma entrevista, de acordo com os imigrantes e seus advogados. Este de atitude tem sido observada há meses e cresceu após a posse do presidente Trump. “Ao rejeitar os requerentes de asilo em suas fronteiras, os EUA os estão enviando para enfrentar o perigo, perseguição, tortura, sequestros e o potencial tráfico de drogas ", disse uma nota da Human Rights First, uma organização que estudou o problema.

Não existem dados concretos sobre a frequência com que os agentes aduaneiros impedem que os requerentes de asilo entrem no país, mas muitos passam pelos portões de fronteira. A organização afirmou ter documentado 125 pessoas ou famílias de países como Colômbia, El Salvador, Guatemala, México e Turquia, que foram rejeitadas em pontos de entrada no Arizona, Califórnia e Texas, de novembro até abril.

A organização disse que o número real provavelmente é muito maior, já que a maioria dos migrantes nunca faz contato com um advogado norte-americano.

O Immigration and Customs Enforcement (ICE) afirmou que os Estados Unidos fazem parte do Direito Internacional e Convenção que permite que pessoas em busca de asilo que alegam serem perseguidas por causa de sua raça, religião, nacionalidade, crença política ou outros fatores. "Se um oficial ou agente encontra um imigrante sem documentos legais e a pessoa tem medo de ser devolvido ao seu país de origem, deve ser iniciado um processo para uma entrevista com um oficial de asilo", disse o comunicado da agência.

A administração de Trump não ordenou que os agentes desviem os requerentes de asilo. Mas o presidente deixou claro que acredita que o sistema de asilo, na sua forma atual, contribui para o problema da imigração ilegal.

Por lei, aqueles que solicitam proteção em um ponto de entrada dos Estados Unidos devem primeiro ser encaminhados para uma triagem com um oficial de asilo do Departamento de Cidadania e Imigração.

Se o oficial decidir que as pessoas têm uma chance significativa de provar o medo de perseguição em seu país de origem, elas podem requerer asilo diante de um juiz e, de outubro de 2016 até março de 2017, segundo a agência de imigração, mais de 38.000 pessoas aplicaram para este processo.

Muitos requerentes de asilo afirmam que são alvos de gangues, o que é mais difícil de provar do que perseguição política, ou baseiam suas reivindicações na pobreza, o que não é um motivo de asilo.

Se forem negados, os requerentes de asilo podem ser deportados. Mas desde que muitos são liberados enquanto seu caso está pendente, alguns nunca retornam ao tribunal e evitam a deportação. O governo Trump disse que os requerentes devem ser libertados com menos frequência.

Francisca, que pediu que o sobrenome de sua família fosse mantido em sigilo por preocupações com a segurança de sua família, disse que tentou mostrar alguns documentos ao agente de fronteira em Tijuana - a certidão de óbito de seu filho que foi assassinado, com um relatório da polícia e a tentativa de estupro de sua filha, também por membros de gangues. Mas o oficial ameaçou a família de deportação se não se voltasse para o México.

“Eles nos trataram como se estivéssemos invadindo", disse ela, que retornou a um abrigo para mulheres e crianças com sua filha de 14 anos. Seu marido, Armando, está com seu filho de 18 anos em um abrigo masculino.

O relatório da organização Human Rights First disse que uma família hondurenha foi sequestrada e forçada a pagar um resgate pela libertação depois de ser impedida de entrar nos EUA por agentes no Texas.

O abrigo que a brasileira trabalha ajuda estas pessoas por um certo período ou até que elas tenham um destino para suas vidas. Como ela cuida de mulheres e crianças, ouve muitas histórias e choro de famílias que foram separadas por agentes de fronteira que impediram a tentativa de um pedido de asilo.

Sandra é uma das abrigada na casa. Ela falou ao telefone com sua filha mais velha, Xiomara, 16, que está em um abrigo no Texas. A família foi separada no México a caminho de Tijuana. A imigrante disse que está preocupada com a filha, que luta com depressão e já tentou suicídio. "Sinto-me impotente", disse ela, explicando que fugiram juntas depois que o ex-sócio de Sandra, um membro de gangue, se tornou abusivo.

Fonte: Brazilian Times