Publicado em 07/05/2017 às 04:00 PM

Líder transgênera e indocumentada luta por direitos no Arizona

“Deportar-me é como me enviar diretamente para a morte”, afirma Karyna que teme ser perseguida em seu país de origem devido ao seu gênero sexual

Karyna pensou em se matar Karyna pensou em se matar

Karyna Jaramillo vive com medo de ser deportada e enviada de volta para sua cidade natal, Morelos, no México, onde ela pode enfrentar perseguição. “Deportar-me é como me enviar diretamente para a morte”, disse ela.

Ela é uma mulher transgênera, uma indocumentada e líder dos imigrantes que temem perseguição em seus países de origem e sentem-se excluídos pelas organizações LBGTQ nos Estados Unidos. “Nós somos vulneráveis, mas somos fortes e pessoas poderosas”, continuou.

O U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) prendeu Karyna em 2015. Ela disse que a agência de imigração não reconheceu sua identidade de gênero. Em vez disso, ela foi levada para uma unidade prisional exclusivamente masculina no Centro de Detenção de Eloy, no Arizona.

A imigrante ainda se lembra como os reclusos se referiam a ela como “carne fresca” quando chegou ao centro de detenção. Karyna foi posteriormente colocada em um confinamento solitário. “Eu me senti deprimida chegando a pensar em tirar a minha vida”, lembrou com lágrimas nos olhos.

Ela foi libertada mediante uma fiança de US$4,000, após ter ficado duas semanas no centro de detenção. Agora Karyna luta para garantir que outros imigrantes transgênero não passem pela mesma experiência.

Pouco depois de sua liberação, a Human Rights Watch publicou um relatório que levou o ICE a fazer mudanças em suas diretrizes sob como cuidar de casos envolvendo pessoas transgêneras. O documento de 68 páginas foi baseado em entrevistas com 28 mulheres transexuais detidas pela imigração entre 2011 e 2015.

“O Transgender Care Memorandum reafirma o compromisso do ICE de fornecer um ambiente seguro e respeito para todos que estão sob sua custódia, incluindo aqueles indivíduos que se identificam como transgêneros”, disse o Diretor-executivo do Enforcement and Removal Operations (ERO), Thomas Homan.

De acordo com ele, através do memorando, o ICE promove um trabalho estreito com as organizações LGBTQ locais e estabeleceu um comitê para supervisionar as opções de roupas, acomodações e cuidados médicos para os presos.

O ICE tem duas instalações com unidades designadas para indivíduos transgêneros. Em 2011, uma prisão da cidade de Santa Ana, na Califórnia, transformou-se no primeiro a abrir uma unidade com capacidade para abrigar 200 prisioneiros como Karyna.

Em dezembro passado, a Câmara Municipal de Santa Ana votou para reduzir a capacidade máxima da prisão para 128. E em janeiro, o Conselho local declarou oficialmente Santa Ana uma "cidade santuário”. O ICE emitiu, em fevereiro, um aviso dando prazo de 90 dias para terminar o contrato com a cadeia da cidade. Os serviços de imigração serão concluídos em 24 de maio deste ano.

De acordo com a porta-voz do ICE, Virginia Kice, a unidade de transgêneros abrigou 11 imigrantes em abril. Ela disse que "qualquer detido alojado na prisão de Santa Ana será transferido para uma habitação adequada dentro do sistema de detenção do ICE antes do término do contrato".

Enquanto os imigrantes indocumentados LGBTQ ganham reconhecimento do ICE em centros de detenção, eles enfrentam outra batalha contra o patrocinador principal do Phoenix Pride Festival 2017, um financeiro de empresas privadas que gerenciam centros de detenção no Arizona.

O Bank of America financia o Core Civic, que anteriormente era a Corrections Corporation of America (CCA). Core Civic atua com prisões privadas nacionais e centros de detenção, incluindo o Centro de Detenção Eloy e o Centro de Detenção de Florença no Arizona.

Aos olhos de Trans Queer Pueblo, um grupo de defesa para os imigrantes LGBTQ de cor, o Bank of America patrocina "o encarceramento de comunidades imigrantes".

Fonte: Brazilian Times