Publicado em 17/05/2017 às 06:00 PM

Brasileira cria bolsas de estudos para indocumentados em Massachusetts

Renata Teodoro espera que a bolsa ofereça mais do que um apoio financeiro aos estudantes trazidos aos Estados Unidos ilegalmente quando ainda eram crianças

Renata Teodoro quer ajudar imigrantes que passaram pelos mesmos problemas que ela para seguir com os estudos Renata Teodoro quer ajudar imigrantes que passaram pelos mesmos problemas que ela para seguir com os estudos

A "viagem" de dez anos de Renata Teodoro até chegar à UMass Boston foi marcada por lutas com finanças e imigração. Agora, a estudante de faculdade de 29 anos está abrindo caminho para os outros alunos que têm o mesmo problema que o seu.

No último ano, Teodoro, cuja família imigrou ilegalmente do Brasil, iniciou as bolsas Tam Tran e Cinthya Felix Immigrant Achievers para estudantes não-documentados da UMass Boston. As bolsas receberam estes nomes em homenagem a dois estudantes de pós-graduação que, antes de morrerem em um acidente de carro no estado do Maine, lutavam por um status legal de imigrantes por terem sido trazidos para os Estados Unidos ilegalmente quando eram crianças.

Teodoro ajudou a angariar fundos por meio de eventos na escola e doações de professores e funcionários. Três estudantes receberam US $ 2.000 cada um nesta primavera.

"Estudantes sem documentos ou cujas famílias não têm status legal enfrentam incerteza crescente desde a eleição de Donald Trump", diz Teodoro. Com a bolsa de estudos, "estamos criando uma comunidade que é mais solidária e acolhedora", diz ela. "Fica difícil fazer o trabalho escolar quando você está preocupado com a próxima ordem executiva ou aplicação mais rigorosa que o presidente assinará".

Teodoro está entre os mais de 750 mil imigrantes protegidos pela política de Deferred Action for Childhood Arrivals (DACA), uma ordem executiva assinada durante o governo Obama que protege temporariamente as crianças trazidas ilegalmente para o país. Quando sua família foi deportada, logo após ela começar à faculdade, a brasileira rapidamente usou os US$ 10 mil que tinha guardado para a escola.

Sem apoio financeiro familiar e incapaz de qualificar-se para uma ajuda tradicional da faculdade, Teodoro trabalhou em vários empregos e até usou um "crowd-funding" para levantar dinheiro para custear os estudos.

No final deste mês, Teodoro se formará em Filosofia e Política Pública.

Fonte: Brazilian Times