O mercado financeiro brasileiro iniciou esta segunda-feira (5) com forte valorização da Bolsa e queda do dólar, em reação aos resultados do primeiro turno das eleições presidenciais. O movimento refletiu a avaliação de investidores de que o desempenho de Flávio Bolsonaro (PL), que terminou a votação à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pode favorecer uma agenda de ajuste das contas públicas.
Logo após a abertura das negociações, o Ibovespa chegou a subir 9,1%, alcançando 209.606 pontos, um recorde histórico. No mercado de câmbio, o dólar comercial recuou cerca de 5% e foi negociado a R$ 4,95 por volta das 10h40. Na sexta-feira, a moeda americana havia encerrado as operações a R$ 5,21.
Os números são parciais e podem mudar ao longo do pregão. Entre as 31 moedas mais negociadas do mundo, o real apresentava a maior valorização naquele momento.
A reação também atingiu os juros futuros, que registraram forte queda. Esse movimento impulsionou ações de empresas sensíveis ao custo do crédito, especialmente do varejo. Os papéis do Magazine Luiza avançavam 25%, enquanto os da C&A subiam 18,6%.
A expectativa de uma reação positiva já aparecia nas negociações internacionais antes da abertura da Bolsa brasileira. Um fundo negociado no Japão que acompanha ações do Brasil chegou a subir 14%. Nos Estados Unidos, o ETF iShares MSCI Brazil avançava mais de 12% na pré-abertura.
Segundo os analistas citados na reportagem, a surpresa com o desempenho de Flávio e os resultados de candidatos de direita nas disputas estaduais e no Congresso melhoraram a percepção sobre a possibilidade de aprovação de medidas econômicas.
Parte dos investidores considera o senador mais inclinado a promover um ajuste fiscal. Essa avaliação, porém, representa uma expectativa do mercado e não uma garantia sobre as políticas de um eventual governo. A reportagem também lembra que a gestão de Jair Bolsonaro adotou medidas que ampliaram gastos e alteraram o tratamento dos precatórios nas contas públicas.
As projeções para os ativos brasileiros seguem condicionadas à trajetória fiscal. Em cenários apresentados pelo JPMorgan, um ajuste das contas públicas poderia fortalecer o real, reduzir os juros e favorecer a Bolsa. Uma deterioração fiscal teria o efeito contrário.
Apesar do entusiasmo inicial, analistas esperam oscilações até o segundo turno, marcado para 25 de outubro. A evolução da campanha, as propostas econômicas e as perspectivas de governabilidade devem continuar influenciando o câmbio, os juros e o mercado de ações.





