Publicado em 3/04/2025 as 2:00pm
Artista brasileira leva Amazônia ao Hispanic Society Museum em NY
A renomada artista brasileira Adriana Varejão apresenta sua mais recente exposição no...
A renomada artista brasileira Adriana Varejão apresenta sua mais recente exposição no Hispanic Society Museum & Library, em Nova York. A mostra, intitulada "Don’t Forget, We Come From the Tropics", estabelece um diálogo entre história, arte e natureza, destacando sua nova fase criativa inspirada na Amazônia.
A série de pratos em grandes formatos, que compõe a exposição, foi idealizada após a visita da artista ao museu, onde se encantou com a coleção de cerâmicas. "Achei um lugar incrível, com uma coleção maravilhosa. Como tenho muito interesse em cerâmica, decidi estabelecer um diálogo com essa coleção", explica Varejão. Se em trabalhos anteriores sua perspectiva estava voltada ao oceano, agora sua atenção se dirige à floresta tropical.
A inspiração para essa nova fase veio da primeira Bienal das Amazônias, realizada em 2024, refletindo a biodiversidade da região. O animal escolhido para representar essa conexão foi a mucura, um marsupial amazônico. No entanto, a relação da artista com a floresta é de longa data. "Desde 2003, realizo projetos na Amazônia. Naquele ano, visitei a Reserva Yanomami e aprendi muito sobre o bioma e a cultura local. Essa relação se fortaleceu e influenciou meu trabalho", conta.
Um dos pontos altos da exposição é uma instalação impactante que retrata uma sucuri abraçando a estátua de El Cid, um confronto visual entre natureza e colonialismo. Rodrigo Díaz de Vivar, conhecido como El Cid, foi um líder militar castelhano do século XI, símbolo da Reconquista. Para Varejão, essa obra é uma provocação sobre as hierarquias de domínio e resistência. "Quando a gente entra na Hispanic Society, se depara com nomes de conquistadores e a estátua de El Cid, um símbolo de força imperial. A sucuri vem para subverter essa ordem, abraçando e ameaçando essa simbologia. É um lembrete de que a natureza não pode ser controlada", reflete a artista.
Além do diálogo entre história e natureza, a exposição também propõe uma reflexão sobre a relação entre arte e artesanato. Varejão resgata influências das artes decorativas, inspirando-se na cerâmica portuguesa de Bordalo Pinheiro e em referências de diferentes épocas e culturas. "Nos anos 80, eu me referia ao barroco, depois aos azulejos portugueses, e agora a cerâmica tem um papel fundamental no meu trabalho", destaca.
A mostra, que ficará em cartaz de 27 de março a 22 de junho de 2025, é a primeira exposição individual de Adriana Varejão em um museu de Nova York e a terceira nos Estados Unidos. Além das pinturas da sua série de pratos, a exposição inclui uma intervenção escultórica ao ar livre, criando uma ponte entre o passado e o presente, reforçando a relação entre história e natureza.
Fonte: Da redação