O empresário ítalo-americano Paolo Zampolli, amigo de longa data do presidente Donald Trump, foi afastado de suas funções como enviado especial dos Estados Unidos para parcerias globais em meio a uma série de controvérsias envolvendo sua atuação no governo americano. Entre os episódios que colocaram seu nome no centro das atenções está uma denúncia relacionada à brasileira Amanda Ungaro, sua ex-companheira, que foi detida pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) e posteriormente deportada para o Brasil.
O afastamento de Zampolli, divulgado em outubro de 2026, ocorreu após conflitos internos no Departamento de Estado americano. Paralelamente, reportagens da imprensa dos Estados Unidos trouxeram à tona acusações de que o empresário teria utilizado seus contatos políticos para interferir na situação imigratória da brasileira, com quem mantém uma disputa judicial envolvendo a guarda do filho adolescente.
Segundo informações divulgadas pelo jornal The New York Times, Zampolli teria procurado David Venturella, um alto funcionário do ICE, para discutir a possibilidade de Amanda ser colocada sob custódia das autoridades migratórias. A iniciativa teria ocorrido em meio aos desentendimentos entre o ex-casal.
Amanda Ungaro, que trabalhou como modelo, foi detida em Miami, na Flórida, em junho de 2025, durante uma investigação envolvendo supostas irregularidades em uma clínica de estética. Posteriormente, passou a enfrentar procedimentos relacionados à sua situação migratória nos Estados Unidos.
Em outubro daquele ano, a brasileira foi deportada para o Brasil.
As circunstâncias do caso levantaram questionamentos sobre uma possível interferência de Zampolli no processo. Entretanto, não há comprovação pública de que a deportação tenha sido determinada em consequência de uma solicitação feita pelo empresário.
Zampolli nega ter utilizado sua influência para prejudicar a ex-companheira. O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS), responsável pelo ICE, também sustenta que as medidas adotadas contra Amanda decorreram de questões legais e migratórias, rejeitando a interpretação de que o procedimento tenha sido resultado de favorecimento político.
Conflito dentro do governo Trump
A saída de Zampolli do governo foi confirmada em 15 de outubro por autoridades americanas. De acordo com a CNN, ele foi informado de que sua designação como enviado especial havia sido encerrada e de que não integrava mais o quadro de funcionários do governo federal.
O afastamento aconteceu após meses de desentendimentos com Christopher Landau, vice-secretário de Estado dos Estados Unidos. Mensagens eletrônicas reveladas pela imprensa mostram que Landau havia advertido Zampolli sobre iniciativas que ultrapassariam suas atribuições diplomáticas, especialmente atividades não relacionadas à diplomacia cultural.
A troca de acusações entre os dois se intensificou, envolvendo questionamentos sobre autoridade, conduta profissional e supostos vazamentos de informações à imprensa.
Zampolli, entretanto, apresentou uma versão diferente sobre sua saída. Segundo ele, o encerramento de suas funções já estava previsto e teria ocorrido após uma conversa com Donald Trump. O empresário também afirmou que continua mantendo uma relação próxima com o presidente.
Brasileira também denunciou violência doméstica
O caso envolvendo Amanda ganhou novos desdobramentos após a divulgação de relatos de que ela havia procurado autoridades americanas para denunciar supostos episódios de violência doméstica durante o relacionamento com Zampolli.
De acordo com reportagem publicada pelo UOL em março de 2026, a brasileira apresentou denúncias no contexto da separação e da disputa judicial pela guarda do filho.
Amanda também afirma que sua detenção e posterior deportação prejudicaram sua capacidade de acompanhar o processo judicial nos Estados Unidos. Ela contesta as acusações relacionadas à clínica de estética e sustenta que foi vítima de perseguição.
O episódio ganhou repercussão internacional principalmente pela proximidade de Zampolli com a família Trump. Ex-agente de modelos, ele é conhecido por ter apresentado Melania Knauss, atual primeira-dama dos Estados Unidos, a Donald Trump.
Embora a demissão de Zampolli esteja oficialmente confirmada, não há evidências públicas suficientes para afirmar que sua saída tenha sido provocada diretamente pelas acusações envolvendo Amanda Ungaro.
O caso, no entanto, continua levantando questionamentos sobre os limites da influência de pessoas próximas ao poder político americano e sobre a possibilidade de utilização de órgãos federais em disputas particulares.





