O brasileiro Vitor Francisco Gomes, de 28 anos, declarou-se inocente das acusações relacionadas às mortes de dois jovens ocorridas em junho, em Fall River, Massachusetts. Ele foi formalmente apresentado na segunda-feira, dia 24, ao Tribunal Superior do Condado de Bristol e permanecerá preso sem direito a fiança.
Gomes foi indiciado por um grande júri em 13 de agosto por duas acusações de homicídio em primeiro grau e uma acusação de porte de arma de fogo sem licença. As vítimas foram identificadas como Pablo Henrique Rocha da Silva, de 20 anos, morador de Whitman, e Eduardo Cardosa da Silva, de 19, residente em Fall River.
A próxima etapa do processo será uma conferência pré-julgamento marcada para 28 de setembro. Outra audiência preliminar foi agendada para 9 de fevereiro de 2027.
Vítimas foram encontradas na Aetna Street
O caso aconteceu na noite de 10 de junho. Segundo o gabinete do promotor distrital do Condado de Bristol, policiais de Fall River foram enviados para as proximidades do número 90 da Aetna Street, por volta das 8h50 p.m., após uma denúncia de disparos.
Ao chegarem, os agentes encontraram um homem inconsciente e sem respirar, caído na calçada entre os números 90 e 104. Ele estava coberto de sangue e apresentava ferimentos graves no rosto. Os policiais ainda tentaram prestar atendimento médico.
A segunda vítima foi localizada no chão, na parte sudeste do número 99 da mesma rua. As equipes de emergência constataram a morte dos dois jovens no local.
De acordo com a acusação, parte significativa do ataque foi registrada por câmeras de segurança. Os promotores afirmam que Gomes teria discutido com Eduardo antes de buscar uma arma dentro de sua residência.
Quando Pablo e Eduardo tentavam sair do local em um veículo, Gomes teria se aproximado e disparado três vezes pela janela aberta, atingindo Pablo. Eduardo teria corrido para os fundos de um imóvel, mas foi perseguido pelo acusado. Outros disparos teriam sido ouvidos.
Eduardo foi encontrado caído de bruços, com ferimentos provocados por tiros e uma forquilha cravada na região posterior da cabeça. Os promotores alegam que Gomes retornou ao veículo, retirou Pablo do banco do motorista e o arrastou até a calçada. O jovem teria sido agredido com a arma e atingido repetidamente na cabeça com uma pedra de granito.
O promotor distrital Thomas Quinn III classificou a cena como uma das mais violentas que já havia presenciado durante sua carreira.
Suspeito foi localizado nas proximidades
Policiais estaduais designados ao gabinete do promotor encontraram Gomes a aproximadamente um quarteirão do local. Segundo as autoridades, ele estava com as roupas cobertas de sangue.
Após uma breve perseguição a pé, os agentes o prenderam e encontraram uma mochila contendo uma arma de fogo e munições. A prisão ocorreu cerca de 15 minutos depois do ataque, conforme relatado pela promotoria.
Defesa mencionou possível legítima defesa
Durante a primeira audiência no Tribunal Distrital de Fall River, o advogado Ken Van Colen afirmou que Gomes é trabalhador, casado, pai e não possuía antecedentes criminais relevantes.
A defesa declarou que os três homens teriam se encontrado para uma luta informal de boxe e que a situação saiu do controle. Segundo o advogado, as vítimas teriam ameaçado matar Gomes e sua família, argumento que poderá ser utilizado para sustentar uma possível alegação de legítima defesa.
A promotoria contestou essa versão e descreveu o episódio como um ataque brutal. As circunstâncias e a motivação ainda serão examinadas durante o processo.
No Tribunal Superior, o juiz Thomas J. Perrino autorizou pedidos da defesa para contratação de um investigador particular e avaliação de um psiquiatra ou neurologista. Gomes permanece presumido inocente até que haja uma condenação definitiva.





