Cidadãos brasileiros estão entre os imigrantes mencionados em uma investigação federal que revelou um suposto esquema milionário de casamentos fraudulentos em Massachusetts. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou, nesta quarta-feira, 21 de outubro, acusações contra seis pessoas suspeitas de organizar uniões fictícias com o objetivo de facilitar a obtenção de benefícios migratórios.
Segundo os promotores federais, a organização teria operado durante mais de dez anos, movimentando mais de US$ 6 milhões. Os imigrantes interessados em participar do esquema pagariam entre US$ 38 mil e US$ 40 mil para se casar com cidadãos americanos, criando uma aparência de relacionamento legítimo perante as autoridades de imigração.
A investigação identificou pelo menos dois casos envolvendo brasileiros.
De acordo com os documentos apresentados pelas autoridades, Jessica Tavares, de 31 anos, residente em Attleboro, teria participado de um casamento com um cidadão brasileiro em maio de 2018. Outro caso envolve Erica Daniels, de 29 anos, moradora de Fall River, que teria se casado com um brasileiro em agosto de 2024.
Os investigadores também divulgaram fotografias relacionadas a essas uniões, utilizadas como parte dos elementos apresentados na investigação.
Até o momento, as informações divulgadas não esclarecem quantos brasileiros teriam participado do esquema ao longo dos anos, nem revelam a identidade dos cidadãos brasileiros mencionados nesses dois casos.
Também não há confirmação de que os brasileiros envolvidos tenham sido formalmente acusados criminalmente no processo anunciado nesta quarta-feira.
Cinco mulheres foram presas durante operação
Além de Jennifer Gonzalez, Jessica Tavares e Erica Daniels, os promotores identificaram Chreise Alejandro, de 39 anos, Amara Pugh, de 31, e Jaylin Hill, de 26 anos, todas residentes em Fall River.
Cinco acusadas foram presas durante a operação federal. Jaylin Hill já estava sob custódia, cumprindo pena estadual relacionada a um crime envolvendo arma de fogo.
Segundo as autoridades, Amara Pugh teria atuado em funções administrativas, auxiliando na organização das atividades.
A investigação também aponta que Jennifer Gonzalez teria utilizado parte dos recursos obtidos com o suposto esquema para comprar imóveis e realizar investimentos comerciais na República Dominicana.
Brasileiros podem enfrentar consequências migratórias?
A identificação de cidadãos brasileiros na investigação chama a atenção para os riscos associados à utilização de casamentos fraudulentos como forma de conseguir documentação migratória nos Estados Unidos.
Pela legislação americana, estrangeiros casados legitimamente com cidadãos dos Estados Unidos podem solicitar determinados benefícios migratórios, desde que cumpram os requisitos legais.
Entretanto, quando o casamento é realizado exclusivamente para contornar as leis de imigração, os envolvidos podem enfrentar acusações criminais e consequências administrativas, incluindo a negativa ou revogação de benefícios migratórios, conforme as circunstâncias de cada caso.
No processo anunciado em Massachusetts, os promotores apresentaram acusações relacionadas a fraude matrimonial e conspiração para abrigar imigrantes em situação irregular.
As penas previstas para determinados crimes de fraude matrimonial podem chegar a cinco anos de prisão por acusação. Outros delitos relacionados ao abrigo de imigrantes podem resultar em penas de até dez anos, dependendo da acusação e de eventual condenação.
No entanto, a simples identificação de brasileiros entre os participantes dos casamentos investigados não significa que eles tenham sido condenados ou formalmente acusados de cometer crimes.
Investigação continua em Massachusetts
O caso ganha relevância para a comunidade brasileira porque envolve duas cidades com presença de imigrantes, Fall River e Attleboro, e revela a existência de uma suposta estrutura organizada para explorar o sistema migratório americano.
As autoridades ainda não esclareceram se outros cidadãos brasileiros aparecem entre os participantes dos casamentos realizados durante o período investigado.
Também não foram divulgadas informações sobre a situação migratória atual dos brasileiros mencionados nos documentos.
O processo seguirá na Justiça federal, onde as acusações deverão ser examinadas.
Os seis acusados são considerados inocentes até que eventual responsabilidade criminal seja comprovada judicialmente.
Fonte: Departamento de Justiça dos Estados Unidos — Procuradoria Federal do Distrito de Massachusetts





