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Brasileiros estão entre os imigrantes mais detidos em New Hampshire em meio à expansão de parcerias com o ICE

Brasileiros estão entre os imigrantes mais atingidos pelo aumento das prisões relacionadas à imigração em New Hampshire. Dados federais obtidos pelo Deportation Data Project mostram que cidadãos do Brasil aparecem entre…

Publicado em 09/16/26
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Brasileiros estão entre os imigrantes mais detidos em New Hampshire em meio à expansão de parcerias com o ICE

Brasileiros estão entre os imigrantes mais atingidos pelo aumento das prisões relacionadas à imigração em New Hampshire. Dados federais obtidos pelo Deportation Data Project mostram que cidadãos do Brasil aparecem entre as cinco nacionalidades com maior número de detenções no estado ao longo do último ano, período marcado também pelo crescimento da participação das forças policiais locais em operações migratórias.

Segundo os dados, pessoas de 48 países foram presas pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) em New Hampshire, com forte predominância de latino-americanos. Imigrantes do Equador, República Dominicana, Brasil, México e Honduras, juntos, responderam por dois terços das prisões.

Os dados não informam, nas informações analisadas, quantos brasileiros foram presos individualmente, mas colocam o Brasil entre os países mais representados nas detenções.

Desde o início do segundo governo de Donald Trump, mais de 700 pessoas foram detidas por questões migratórias em New Hampshire. Somente entre maio e julho de 2026, foram 198 detenções, sendo que quase metade foi realizada por autoridades policiais locais.

Essa participação ocorre principalmente por meio dos acordos conhecidos como 287(g), que permitem que departamentos e outras agências policiais locais atuem em parceria com o ICE. Policiais participantes podem exercer determinadas funções de fiscalização migratória, incluindo cumprimento de mandados e detenção de pessoas suspeitas de estarem nos Estados Unidos sem autorização.

Desde setembro de 2025, forças policiais locais de New Hampshire prenderam 172 pessoas por meio do programa 287(g). De acordo com os dados, essas detenções superaram as prisões realizadas diretamente pelo ICE e as transferências provenientes de unidades correcionais no período analisado.

A maior concentração das operações ocorre na metade sul do estado, especialmente na região atendida pelo escritório do ICE localizado no centro de Manchester. Hillsborough e Rockingham também aparecem entre as áreas de destaque. Os escritórios dos xerifes dos dois condados possuem acordos 287(g).

A governadora de New Hampshire, Kelly Ayotte, além de xerifes e alguns chefes de polícia, tem defendido a cooperação com as autoridades federais, argumentando que as parcerias têm como objetivo prender criminosos considerados perigosos. O programa também conta com apoio de republicanos na legislatura estadual.

No ano passado, Ayotte sancionou duas leis que impedem municípios de proibir seus departamentos policiais de cooperarem com as autoridades federais de imigração.

Perfil das pessoas detidas

Os números também mostram que homens latinos entre 20 e 39 anos representam uma parcela expressiva das detenções. Eles corresponderam a 58% das pessoas presas durante o segundo governo Trump.

Menores também aparecem nas estatísticas. Sete foram presos e mantidos sob custódia em New Hampshire, incluindo uma criança de 4 anos, do Equador, detida em Manchester em julho.

Outro dado chama atenção para o perfil criminal dos detidos. Aproximadamente um terço das pessoas presas pelo ICE em New Hampshire durante o governo Trump possuía condenação criminal. Em um período comparável no final do governo de Joe Biden, essa proporção era de aproximadamente dois terços.

O aumento das operações ficou particularmente evidente em junho de 2026, quando o número de prisões cresceu acompanhando uma ofensiva migratória em nível nacional e chegou perto do recorde registrado em janeiro de 2023.

Em média, as pessoas detidas permanecem 49 dias sob custódia antes de deixarem os Estados Unidos ou serem liberadas. Entre os presos em New Hampshire, 119 foram incluídos no processo de partida voluntária, modalidade que vem sendo incentivada pelo governo Trump.

Para a comunidade brasileira de New Hampshire, os dados ganham relevância principalmente porque mostram que brasileiros não aparecem de maneira isolada nas estatísticas: o Brasil integra o grupo das cinco nacionalidades que, juntas, concentram dois terços das prisões migratórias registradas no estado.

Fonte: Da redação

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