O caso da Legacy Imigra, empresa de serviços migratórios de Orlando, na Flórida, investigada por um suposto esquema milionário de fraudes contra imigrantes, principalmente brasileiros, ganhou um importante desdobramento na Justiça Federal dos Estados Unidos. Uma denúncia apresentada por um grande júri federal em 21 de outubro de 2026 aponta 13 pessoas acusadas de participação em diferentes atividades criminosas relacionadas à empresa, ampliando o alcance de uma investigação que começou com a prisão de quatro suspeitos em abril deste ano.
Entre os denunciados estão Vagner Soares de Almeida, proprietário da Legacy Imigra, sua esposa, Juliana Colucci, e outros funcionários e associados. As acusações incluem conspiração para fraude eletrônica, fraude envolvendo documentos migratórios, irregularidades em processos de imigração, contratação ilegal de trabalhadores estrangeiros e casamentos fraudulentos para obtenção de benefícios migratórios. Nem todos os envolvidos respondem pelas mesmas acusações.
A denúncia foi registrada no Tribunal Federal do Distrito Central da Flórida, divisão de Orlando, sob o processo nº 6:26-cr-00264-AGM-LHP. O documento apresenta a estrutura das supostas operações e identifica os participantes apontados pelos promotores federais.
O caso ganhou repercussão em 22 de abril de 2026, quando o Gabinete do Xerife do Condado de Orange anunciou a prisão de Vagner Soares de Almeida, Juliana Colucci, Lucas Felipe Trindade Silva e Ronaldo de Campos.
Na ocasião, o xerife John Mina informou que a empresa era suspeita de operar um esquema de fraude e extorsão que teria movimentado mais de US$ 20 milhões. Segundo as autoridades, a Legacy Imigra anunciava serviços de regularização migratória e pedidos de asilo, mas funcionários teriam se apresentado indevidamente como advogados habilitados para exercer a profissão nos Estados Unidos.
A investigação apontou que clientes pagavam quantias elevadas por serviços que, em diversos casos, não eram realizados corretamente ou envolviam informações e documentos fraudulentos. Algumas vítimas relataram prejuízos entre US$ 2.500 e US$ 26 mil.
Os investigadores também identificaram situações em que contas de e-mail teriam sido criadas em nome de clientes sem autorização, além de retenção de documentos e exigências de pagamentos adicionais para sua liberação.
A operação inicial foi realizada em conjunto pelo Gabinete do Xerife do Condado de Orange, pelo Homeland Security Investigations (HSI) e pelo Gabinete do Procurador-Geral da Flórida.
Denúncia detalha supostas fraudes em asilo, vistos e casamentos
A análise do documento federal revela que os promotores atribuem aos investigados diferentes modalidades de fraude. Entre elas estão a preparação de pedidos de asilo com informações falsas, irregularidades em solicitações de vistos de trabalho H-1B e processos de residência permanente pela categoria EB-3.
A denúncia também aponta que a empresa teria contratado e mantido trabalhadores sem autorização legal para exercer atividades remuneradas nos Estados Unidos.
Outro ponto envolve supostos casamentos fraudulentos utilizados para obter benefícios migratórios. Em uma das acusações, os promotores afirmam que Juliana Colucci teria participado de um casamento realizado em maio de 2025 com a finalidade de conseguir residência permanente. A acusação envolve também Issac Antonio Narvaez e Ronay Castillo Salazar.
Autoridades acreditam que ainda existam vítimas não identificadas
Desde a operação realizada em abril, os investigadores alertam que o número de pessoas prejudicadas pode ser significativamente maior do que o inicialmente identificado.
As primeiras vítimas que colaboraram com as autoridades residiam na Flórida, Carolina do Sul, Connecticut e Nova Jersey. A abrangência geográfica reforçou a preocupação dos investigadores com a possibilidade de o esquema ter atingido brasileiros em diferentes regiões dos Estados Unidos.
As autoridades também orientaram possíveis vítimas a procurar assistência jurídica especializada. Dependendo das circunstâncias individuais, pessoas prejudicadas por determinados crimes podem ser elegíveis a mecanismos de proteção migratória, como o visto U. Entretanto, a colaboração com a investigação não garante automaticamente a concessão do benefício.
Sobre a informação de que aproximadamente US$ 1,7 milhão pertencentes a cerca de 200 vítimas teriam sido recuperados, não foi possível localizar uma confirmação independente em comunicado oficial ou documento judicial consultado nesta pesquisa. Por isso, o valor ainda deve ser tratado como informação pendente de confirmação.
O Gabinete do Xerife do Condado de Orange mantém o telefone (407) 836-4357 como canal para pessoas que acreditam ter sido vítimas da Legacy Imigra.
A denúncia federal de outubro representa um novo capítulo da investigação, mas não equivale a uma condenação. Os 13 acusados têm direito à defesa e são considerados inocentes até que sua responsabilidade seja eventualmente comprovada pela Justiça.
A ampliação do caso também chama atenção para os riscos enfrentados por imigrantes que procuram regularizar sua situação nos Estados Unidos e acabam recorrendo a empresas ou pessoas que oferecem serviços jurídicos sem a devida habilitação profissional.





