O Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, na Região Metropolitana da capital mineira, consolidou-se em 2026 como a principal porta de entrada no Brasil para cidadãos deportados dos Estados Unidos. Até julho, mais de 1.785 brasileiros já haviam retornado ao país nessas operações, em um movimento que evidencia não apenas o avanço das deportações, mas também a importância histórica de Minas Gerais no fluxo migratório brasileiro para território americano.
Em julho, o Brasil recebeu a 27ª operação de deportação do ano. Levantamento divulgado antes desse voo contabilizava mais de 1.785 brasileiros transportados em 26 operações, todas com destino a Confins.
A concentração dos desembarques no aeroporto mineiro representa uma mudança em relação a 2025. No ano passado, 3.371 brasileiros foram deportados dos Estados Unidos em 38 voos, distribuídos entre os aeroportos de Confins, Fortaleza, no Ceará, e Manaus, no Amazonas. Em 2026, até o período contabilizado, Confins passou a receber todas as operações.
A escolha de Minas Gerais não ocorre por acaso. O estado possui uma longa relação com a imigração brasileira para os Estados Unidos e concentra comunidades com fortes vínculos migratórios, especialmente em regiões como o Vale do Rio Doce. Esse perfil se reflete entre os brasileiros que acabam submetidos a processos de deportação, tornando Confins um ponto estratégico para facilitar o deslocamento posterior até as cidades de origem.
Os voos normalmente partem dos Estados Unidos e fazem escala antes de chegar ao Brasil. Em uma das operações de julho, por exemplo, um Boeing 767 da Eastern Airlines partiu de Alexandria, na Louisiana, fez escala em Bogotá, na Colômbia, e seguiu para Confins.
No Brasil, a recepção dos deportados é coordenada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) em parceria com outros órgãos federais. Após o desembarque, os brasileiros que necessitam de assistência podem receber alimentação, kits de higiene, atendimento médico e psicológico, apoio psicossocial e auxílio para retornar às cidades onde vivem ou possuem familiares.
Confins também conta com o Centro de Referência em Direitos Humanos para Pessoas Repatriadas e Migrantes (CREDH-RM). A estrutura oferece orientação sobre documentos e encaminhamento para políticas públicas relacionadas a assistência social, saúde, educação, trabalho e geração de renda.
Os números mostram a dimensão do atual fluxo de retorno. Dados oficiais citados em levantamento recente apontam que mais de 5 mil brasileiros foram deportados dos Estados Unidos desde janeiro de 2025, incluindo 164 menores de idade.
Com a intensificação da política migratória dos Estados Unidos e a continuidade dos voos de deportação, Confins deixou de ser apenas um dos aeroportos utilizados nessas operações e passou a ocupar uma posição central na chegada de brasileiros obrigados a reconstruir a vida no país após anos — e, em alguns casos, décadas — vivendo em território americano.





