Uma manifestação conjunta de representantes brasileiros na política de Massachusetts reacendeu o debate sobre os direitos dos imigrantes no estado. As deputadas estaduais Priscila Sousa e Rita Mendes, o deputado estadual Danilo Sena e a deputada estadual eleita Lorena Betts divulgaram uma nota de repúdio à decisão de lideranças evangélicas brasileiras de Somerville de promover um encontro com Mike Minogue, candidato ao governo estadual que defende a retirada do direito à carteira de motorista de imigrantes sem status migratório legal.
No documento, os parlamentares demonstram preocupação com a iniciativa e afirmam que a proposta representa uma ameaça a direitos conquistados pela comunidade imigrante após anos de mobilização política e social.
A manifestação também critica as posições de Minogue em relação às políticas de deportação em massa. Para os representantes brasileiros, oferecer espaço e legitimidade a propostas dessa natureza demonstra falta de sensibilidade diante das dificuldades enfrentadas por milhares de famílias imigrantes que vivem em Massachusetts.
"A lei das carteiras de motorista representa mais de 20 anos de luta", destacam os parlamentares na nota, ao defenderem a manutenção da legislação que permite a imigrantes sem documentação migratória obter uma habilitação para dirigir.
A medida, conhecida como Work and Family Mobility Act, entrou em vigor em julho de 2023 e permite que moradores de Massachusetts solicitem uma carteira de motorista independentemente de seu status migratório, desde que cumpram os requisitos de identificação, residência e habilitação estabelecidos pelo estado.
A legislação foi considerada uma conquista histórica por organizações de defesa dos imigrantes, especialmente pela possibilidade de ampliar a segurança no trânsito e facilitar o deslocamento de trabalhadores e famílias que dependem de veículos para suas atividades diárias.
Parlamentares criticam obstáculos enfrentados pela comunidade
Na nota, os representantes brasileiros também lembram as dificuldades enfrentadas durante a tentativa de aprovação do PROTECT Act, proposta legislativa relacionada à proteção de imigrantes em Massachusetts.
Segundo os signatários, a iniciativa encontrou obstáculos políticos significativos, situação que, na avaliação deles, reforça a necessidade de mobilização permanente para preservar direitos e impedir retrocessos.
Apesar das críticas à realização do encontro em Somerville, os parlamentares ressaltaram que respeitam as diferenças políticas e religiosas. Entretanto, argumentaram que essas diferenças não podem servir de justificativa para ignorar iniciativas que, em sua avaliação, ameaçam conquistas da comunidade brasileira.
A manifestação ganha relevância diante do papel desempenhado pelas igrejas evangélicas brasileiras em Massachusetts. Além das atividades religiosas, muitas congregações funcionam como importantes espaços de convivência, acolhimento e apoio a famílias imigrantes.
Nesse contexto, a aproximação de lideranças religiosas com candidatos que defendem políticas migratórias mais restritivas pode provocar discussões dentro da própria comunidade sobre representação política, interesses coletivos e preservação de direitos.
Compromisso com as famílias imigrantes
Ao encerrar o documento, Priscila Sousa, Rita Mendes, Danilo Sena e Lorena Betts reafirmaram o compromisso com a defesa dos brasileiros e de outras comunidades imigrantes que vivem em Massachusetts.
Os representantes também enfatizaram que conquistas obtidas ao longo de décadas não devem ser comprometidas por interesses políticos ou disputas partidárias.
"Direitos conquistados com décadas de luta não podem ser sacrificados por conveniência partidária", afirmaram.
A nota coloca novamente em evidência uma das questões mais sensíveis da política de Massachusetts: o futuro das políticas estaduais de proteção aos imigrantes e o impacto que eventuais mudanças poderão provocar na vida de trabalhadores e famílias estrangeiras.
Até o momento, o documento apresentado não inclui uma manifestação de Mike Minogue ou das lideranças evangélicas responsáveis pelo encontro em Somerville sobre as críticas feitas pelos parlamentares.





