Da Redação
A histórica relação migratória entre Governador Valadares, em Minas Gerais, e a região da Grande Boston, nos Estados Unidos, é o ponto de partida da nova exposição individual da artista brasileira Rosângela Rennó. Intitulada Fazendo a América | Making America, a mostra será inaugurada no sábado, 3 de outubro, na galeria Vermelho, em São Paulo, e permanecerá aberta ao público até 31 de outubro.
O projeto apresenta uma reflexão sobre os deslocamentos humanos, a construção de identidades e as experiências de brasileiros que atravessam fronteiras em busca de novas oportunidades. A exposição chega em um momento marcado pelo endurecimento das políticas migratórias e pela intensificação dos debates sobre imigração nos Estados Unidos.
Originalmente comissionado pelo Museum of Fine Arts, Boston (MFA), para a exposição individual Fazendo a América: Rosângela Rennó and Histories of Memory and Migration in Brazil, o trabalho reúne 48 retratos produzidos entre Minas Gerais e Massachusetts.
Nas fotografias, os participantes aparecem com os rostos encobertos por bonés verdes bordados com as expressões “Making America” ou “Fazendo a América”. O recurso visual transforma um objeto cotidiano em elemento simbólico, convidando o público a refletir sobre pertencimento, identidade e as histórias individuais que compõem os movimentos migratórios.
A escolha de Governador Valadares e da Grande Boston não é casual. Ao longo de décadas, a região mineira consolidou uma forte ligação com Massachusetts, destino de milhares de brasileiros que deixaram o país em busca de trabalho e melhores condições de vida. Essa conexão ajudou a formar uma das mais conhecidas redes migratórias entre Brasil e Estados Unidos.
Novas obras ampliam o projeto apresentado em Boston
Na galeria Vermelho, Rosângela Rennó expande o conjunto original com duas intervenções em lambe-lambe, linguagem artística que utiliza cartazes aplicados em superfícies urbanas.
A exposição também apresenta American Spirits, uma nova fotolitogravura em offset artesanal desenvolvida em parceria com o Estúdio Barén, no Rio de Janeiro.
As obras ampliam a investigação da artista sobre a fotografia como instrumento de construção da memória coletiva e de representação de experiências sociais.
Conhecida por explorar imagens, arquivos e narrativas frequentemente deixadas à margem dos registros oficiais, Rennó utiliza a linguagem fotográfica para provocar reflexões sobre aquilo que é preservado, esquecido ou invisibilizado na sociedade.
Em Fazendo a América, essas questões ganham uma dimensão especialmente significativa para a comunidade brasileira nos Estados Unidos, cuja trajetória é marcada por histórias de separação familiar, adaptação cultural, trabalho e reconstrução de vínculos.
Mais do que documentar um fluxo migratório, a exposição propõe um olhar sobre as pessoas que fazem parte dessa história e sobre os significados de deixar o país de origem para construir uma vida em outro lugar.
A mostra poderá ser visitada na galeria Vermelho, em São Paulo, de 3 a 31 de outubro de 2026.





