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Medo de separação familiar impulsiona recorde de registros brasileiros de crianças nascidas nos EUA

O aumento das detenções e deportações nos Estados Unidos está provocando uma mudança no comportamento de milhares de famílias brasileiras. Pais de crianças nascidas em território americano passaram a procurar em número recorde os consulados do Brasil para garantir também a nacion

Publicado em 08/21/26
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Medo de separação familiar impulsiona recorde de registros brasileiros de crianças nascidas nos EUA

O aumento das detenções e deportações nos Estados Unidos está provocando uma mudança no comportamento de milhares de famílias brasileiras. Pais de crianças nascidas em território americano passaram a procurar em número recorde os consulados do Brasil para garantir também a nacionalidade brasileira dos filhos.

Dados do Itamaraty mostram que os 11 consulados-gerais brasileiros nos Estados Unidos receberam mais de 21 mil solicitações de registro de nascimento em 2025. Em 2021, haviam sido 5.660. Em apenas quatro anos, portanto, a procura aumentou aproximadamente 271%, alcançando o maior patamar da série citada pelo governo brasileiro.

Boston é um dos principais retratos dessa transformação. Entre 2021 e 2025, o número de pedidos apresentados ao consulado na região aumentou 551%. Nova York registrou crescimento de 339% e Miami, de 119%. Os três postos concentram algumas das maiores comunidades brasileiras dos Estados Unidos. Estimativas do Itamaraty citadas no levantamento apontam cerca de 440 mil brasileiros na área atendida por Boston, 500 mil na de Nova York e 400 mil na de Miami.

Temor de deportação muda planos das famílias

Não existe uma única explicação para o crescimento. Um dos fatores apontados por brasileiros e pessoas que trabalham com questões consulares é o atual cenário migratório americano.

Com o aumento das operações de imigração, famílias passaram a considerar antecipadamente o que aconteceria com crianças americanas caso os pais fossem presos ou deportados. Ter a documentação brasileira pronta facilita uma eventual mudança para o Brasil e reduz obstáculos burocráticos em uma situação de emergência.

Um dos casos relatados na apuração que revelou os números envolve uma mãe de trigêmeas nascidas em Boston. Depois que o marido foi detido pelas autoridades migratórias em janeiro e posteriormente deportado, ela decidiu retornar ao Brasil com as filhas. Para evitar a separação da família, procurou o consulado e conseguiu, em caráter de urgência, registrar as crianças e providenciar seus passaportes brasileiros.

A preocupação ocorre em um momento de aumento das deportações. Desde janeiro de 2025, mais de 5 mil brasileiros foram deportados dos Estados Unidos, segundo os dados oficiais reunidos na apuração. Entre os passageiros dos voos de deportação estavam 164 menores de idade. Na maioria desses casos, eram crianças que viajaram acompanhando um ou ambos os pais. Pelo menos nove adolescentes também chegaram desacompanhados e foram encaminhados a familiares no Brasil.

Visto para americanos também impulsionou procura

Outro fator entrou nessa equação em 10 de abril de 2025, quando o Brasil voltou a exigir visto de cidadãos dos Estados Unidos, Canadá e Austrália para viagens de turismo e negócios. Para norte-americanos, o visto eletrônico tem validade de dez anos.

Para filhos de brasileiros nascidos nos Estados Unidos, entretanto, existe outro caminho. Uma vez reconhecidos como brasileiros e de posse da documentação nacional adequada, eles viajam ao Brasil como cidadãos brasileiros. O próprio Itamaraty esclarece que cidadãos brasileiros não são elegíveis ao e-Visa e devem utilizar documentos de viagem brasileiros.

Criança passa a ser brasileira nata

A Constituição brasileira garante uma possibilidade importante para quem nasceu no exterior e tem pai brasileiro ou mãe brasileira. Quando o nascimento é registrado em uma repartição consular brasileira, a pessoa é reconhecida como brasileira nata.

O procedimento consular é gratuito e pode ser realizado independentemente da idade, desde que não exista registro anterior do nascimento em outro consulado brasileiro ou cartório no Brasil. Depois, para que a certidão consular produza plenamente seus efeitos no território nacional, ela deve ser transcrita no cartório competente no Brasil.

Há ainda uma diferença importante entre fazer primeiro o registro no consulado e simplesmente levar uma certidão estrangeira diretamente para transcrição no Brasil. O Itamaraty recomenda o registro consular porque a transcrição direta do documento estrangeiro pode fazer com que, depois de completar 18 anos, o interessado tenha de recorrer à Justiça Federal para confirmar sua opção pela nacionalidade brasileira.

Além de formalizar a nacionalidade, o registro abre caminho para a obtenção de outros documentos. O Ministério das Relações Exteriores informa que, para brasileiros nascidos no exterior, o registro consular ou a certidão já transcrita no Brasil é necessário para determinados documentos brasileiros, e orientações consulares destacam sua importância para a emissão do passaporte.

O salto de 5.660 para mais de 21 mil registros em quatro anos mostra, assim, um fenômeno que ultrapassa uma simples demanda burocrática. Para um número crescente de famílias brasileiras nos Estados Unidos, garantir a dupla nacionalidade dos filhos tornou-se também uma forma de preparação diante da possibilidade de uma mudança repentina provocada pela política migratória americana.

Fonte: Da redação

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