Diante do aumento das denúncias de violações de direitos humanos contra imigrantes nos Estados Unidos, um grupo de organizações brasileiras sediadas em Massachusetts e lideranças políticas enviou uma carta ao governo do Brasil cobrando providências e reforçando a urgência de uma atuação diplomática firme.
O documento, assinado por entidades como o Grupo Mulher Brasileira, Brazilian Worker Center, Brazilian American Center, Instituto Diáspora Brasil, Brazilian Resources Center, Source Hub, New England Community Center, Defend Democracy in Brazil e Florida Immigrant Coalition, além das deputadas estaduais Priscila Sousa e Rita Mendes, e o deputado Danilo Sena — todos atuantes em Massachusetts —, pede resposta imediata diante do que classificam como “violações humanitárias” sofridas por brasileiros em centros de detenção migratória, como o caso recente do estudante Marcelo Gomes da Silva, de 18 anos.
A carta denuncia o tratamento desumano de imigrantes detidos e pede quatro medidas prioritárias:
- Atuação diplomática junto aos EUA para exigir a aplicação da Convenção contra a Tortura e outros tratados internacionais de direitos humanos assinados por ambos os países;
- Ampliação da capacidade consular brasileira nos EUA, com foco na emissão de documentos essenciais — como passaportes e certidões de nascimento — e na oferta de assistência emergencial a famílias que desejam retornar ao Brasil;
- Realização de uma audiência pública com a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, envolvendo também as organizações comunitárias brasileiras nos Estados Unidos;
- Criação de um canal permanente de diálogo com a Embaixada do Brasil em Washington, inspirado na atuação já estabelecida pelo Consulado-Geral do Brasil em Boston, que mantém uma relação mais próxima com a comunidade local.
No documento, os signatários destacam “a urgência e seriedade desse momento”, alertando que as ações recentes de fiscalização do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) estão gerando medo, insegurança e separação de famílias inteiras — mesmo entre imigrantes sem antecedentes criminais.
“O Brasil não pode ignorar os clamores de sua comunidade no exterior”, afirma a carta. “É papel do Estado garantir proteção e dignidade a seus cidadãos, onde quer que estejam.”
A mobilização amplia a pressão por uma resposta institucional à crise enfrentada por imigrantes brasileiros, especialmente em tempos de intensificação das ações migratórias nos Estados Unidos.





