A Polícia Federal (PF) realizou uma operação no município de Figueirópolis d’Oeste, localizado a aproximadamente 400 quilômetros de Cuiabá, em Mato Grosso, para desarticular um suposto esquema de promoção de imigração ilegal de brasileiros para os Estados Unidos. Segundo as investigações, os suspeitos ofereciam assistência em diferentes etapas da viagem e recebiam pagamentos que poderiam envolver até mesmo imóveis pertencentes aos interessados em deixar o Brasil.
Durante a ação, os agentes federais cumpriram cinco mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Federal de Cáceres (MT). Também foi determinada a indisponibilidade de bens e valores dos investigados, até o limite de R$ 1 milhão, como parte das medidas destinadas a aprofundar as investigações.
De acordo com a Polícia Federal, o grupo investigado atuava na organização de viagens de brasileiros que pretendiam ingressar irregularmente em território americano. A estrutura oferecida pelos suspeitos incluía orientações para obtenção de passaportes, preparação dos deslocamentos internacionais e procedimentos relacionados à travessia da fronteira entre o México e os Estados Unidos.
Um dos aspectos que chamaram a atenção dos investigadores foi a forma utilizada para receber os pagamentos pelos serviços oferecidos.
Além de transferências bancárias, os suspeitos aceitavam procurações envolvendo bens móveis e imóveis localizados no Brasil. Dessa maneira, brasileiros interessados na viagem poderiam comprometer parte de seu patrimônio para custear a tentativa de entrada irregular nos Estados Unidos.
As informações divulgadas não esclarecem quantos brasileiros teriam utilizado os serviços do grupo, quais valores eram cobrados individualmente ou quantos imóveis foram envolvidos nas negociações.
Investigação busca identificar envolvidos e movimentações financeiras
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais federais apreenderam materiais que serão analisados para identificar possíveis novos envolvidos, esclarecer a movimentação financeira do esquema e determinar a extensão das atividades investigadas.
A Polícia Federal também pretende aprofundar a apuração sobre a participação de cada suspeito na organização das viagens e na negociação dos pagamentos realizados pelos brasileiros.
Os investigados poderão responder pelos crimes de promoção de migração ilegal e associação criminosa, conforme as responsabilidades individuais que venham a ser comprovadas ao longo do procedimento.
A operação também chama a atenção para os riscos enfrentados por brasileiros que recorrem a intermediários para tentar chegar aos Estados Unidos por rotas irregulares.
Além dos elevados custos financeiros, esse tipo de deslocamento pode expor os viajantes a situações de exploração, abandono, violência e outros perigos durante o percurso, especialmente nas regiões próximas à fronteira entre o México e os Estados Unidos.
Pela legislação brasileira, o crime de promoção de migração ilegal está previsto no artigo 232-A do Código Penal e envolve a facilitação, mediante vantagem econômica, da entrada ilegal de pessoas em território estrangeiro ou da saída irregular de estrangeiros do Brasil. A pena prevista é de dois a cinco anos de reclusão, além de multa, podendo ser aumentada em determinadas circunstâncias.
A Polícia Federal não informou, nas informações apresentadas, se houve prisões durante a operação. As investigações continuam, e os suspeitos têm direito à presunção de inocência até eventual condenação definitiva.





