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Coluna Arilda Costa - Renato Andrade: o grande violeiro filho de Paineiras, cidadão de Abaeté por amor e gratidão

Tem história que a gente não lê em livro. A gente escuta. E foi Dona Lourdes, última companheira, quem me contou a história do violeiro Renato Andrade, com os olhos cheios de saudade, no nosso encontro em Abaeté. Renato…

Publicado em 08/23/26
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Coluna Arilda Costa - Renato Andrade: o grande violeiro filho de Paineiras, cidadão de Abaeté por amor e gratidão

Tem história que a gente não lê em livro. A gente escuta.  

E foi Dona Lourdes, última companheira, quem me contou a história do violeiro Renato Andrade, com os olhos cheios de saudade, no nosso encontro em Abaeté.

Renato nasceu em Paineiras, menino pobre. A fome apertou e a mãe tomou a decisão mais dura: pegou o filho pela mão e foram a pé até Abaeté. Terra de chão, terra vermelha. Estavam fugindo da fome. Foram buscar vida e dignidade.

Naquele tempo ele era só uma criança. Nem imaginava que um dia a viola ia escolher ele.  

E Abaeté o acolheu.  

Mesmo nascido em Paineiras, foi nessa cidade que Renato cresceu, fincou raiz e virou gente grande. Virou cidadão abaeteense por amor. Porque cidade também é quem te abraça quando você mais precisa.

Renato começou a carreira contando causos e tocando viola.  

Nas rodas, nas festas, nas casas. Com o dom de prender a gente na palavra e depois soltar no som.  

E com o tempo ele foi mais longe. Trafegou com grande maestria entre a viola raiz e o sofisticado erudito. 

Tinha respeito pela tradição e coragem pra buscar o novo. Tocava moda de viola com a mesma dignidade que tocava o clássico.

Foi assim, com estudo e dedicação, que se tornou um dos maiores violeiros do Brasil e do mundo.  

Renato não tocava. Ele rezava. Ele contava. Ele curava.  

Tirava da madeira a toada da roça, a dor da estrada, a fé do povo e a alegria da festa.

Dona Lourdes foi sua última companheira nos últimos anos da vida do Mestre.  

Ela cuidou dele até o fim, guardando com amor a memória e a música desse homem.

Renato há muitos anos partiu, mas deixou história. Deixou o som da viola como referência a todos os violeiros.  

Deixou em Abaeté o nome, e o exemplo: de que raiz não se nega, se carrega.  

De que quando uma cidade acolhe, ela ganha um filho que canta e encanta o Brasil inteiro.

Obrigada, Dona Lourdes, por guardar essa memória com tanto amor.  

Obrigada, Abaeté, por ser casa.  

Obrigada, Mestre Renato, por mostrar que até de um menino faminto pode nascer um Mestre patrimônio do Brasil.

 

Fotos do Renato: divulgação internet

Fonte: Da redação

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