“Quando as coisas ficarem mais tranquilas, eu vou ou eu faço.”
Vou visitar aquele amigo. Vou cuidar da saúde. Vou passar mais tempo com meus filhos. Vou organizar minhas finanças. Vou tirar alguns dias para descansar. Eu vou fazer uma caminhada quando chegar em casa, aí chega e nem lembra da tal caminhada. Fica para depois ou amanhã eu faço.
Talvez você já tenha dito alguma dessas frases. Eu também. O problema é que sempre aparece uma nova responsabilidade, uma conta para pagar ou alguma urgência que ocupa o lugar do que havíamos prometido fazer.
Para quem constrói a vida em outro país, essa sensação pode ser ainda mais presente. Chegamos com sonhos, coragem e disposição para trabalhar. Queremos oferecer oportunidades à família, conquistar estabilidade e fazer valer os sacrifícios de estar longe de tantas pessoas que amamos.
Aos poucos, a agenda fica cheia. Dizemos sim para quase tudo e o nosso prato transborda. O trabalho cresce, as despesas também, e o descanso passa a depender de uma lista de tarefas que nunca termina. A rotina do dia a dia nos engole, sem que a gente perceba que este é o novo normal. Você se identifica?
Sou Bianca Zimmer, brasileira, imigrante, mãe, esposa e empresária. Minha trajetória nos Estados Unidos passou por ser babysitter, pela limpeza de casas, pela área financeira de empresas e pelo empreendedorismo. Em cada etapa, aprendi sobre trabalho, responsabilidade e recomeços. Continuo aprendendo a encontrar espaço para a vida que acontece entre os inúmeros compromissos.
É com esse olhar que começo esta coluna no Brazilian Times: com vontade de conversar sobre assuntos que fazem parte do nosso cotidiano e influenciam nossas escolhas na vida real.
Vamos falar de dinheiro, negócios, família, filhos, relacionamentos, amizades e dos desafios de viver longe do país onde nascemos. Temas que se encontram o tempo todo. Uma preocupação financeira pode acompanhar alguém até a mesa do jantar. Uma dificuldade em casa pode tirar a concentração no trabalho total. Uma boa conversa pode nos ajudar a enxergar uma saída que, sozinhos, não estávamos conseguindo perceber.
Para nossa primeira conversa, quero propor uma pausa: o que significa vencer na vida para você?
Talvez seja ter uma empresa, comprar uma casa, proporcionar uma boa educação aos filhos ou chegar a uma fase com menos preocupações financeiras. São conquistas importantes, que exigem planejamento e dedicação, ou teremos frustrações.
Mas vale perguntar também como queremos viver enquanto buscamos tudo isso. Há espaço para uma refeição em família sem olhar o celular? Temos tempo para assistir aos jogos dos nossos filhos na escola? Para manter uma amizade e sair com amigos? Para ouvir quem está ao nosso lado? Para cuidar da saúde antes que algum problema nos obrigue a parar? Para estudar algo diferente, ler um livro, escutar uma música, cantar, dançar? Ou até mesmo tirar uma soneca de 30-40 minutos no dia para dar uma recarregada.
Sei que nem sempre podemos diminuir o ritmo. Há “fases” em que as contas apertam e as possibilidades são limitadas. Ainda assim, podemos olhar para a rotina e escolher alguma coisa que mereça atenção agora. O não é necessário para que a gente faça o que tem que ser feito e eu sei o quanto é difícil para a gente falar não ou tirar algo da nossa rotina.
Pode ser marcar uma consulta adiada, conversar sobre o orçamento da casa ou reservar algumas horas para estar com alguém ou com você mesmo. Poder reconhecer quando precisamos de ajuda.
Ao longo desta coluna, quero compartilhar experiências, fazer perguntas e trazer reflexões que tenham lugar na vida real. Espero que você encontre aqui uma conversa da qual também queira participar.
E deixo uma pergunta para acompanhar você nesta semana:
No meio de tudo o que precisa ser feito, o que você não quer continuar adiando?





