É um prazer inenarrável. De verdade, respiro fundo e sinto o peso gostoso deste momento: esta é a minha primeira coluna no Jornal Brazilian Times — casa de tanta credibilidade, pulso vivo e afeto para a nossa comunidade e a nossa cultura nos Estados Unidos. Se você está aí, dividindo a cabeça entre o dólar, o café apressado em copo de papel e a saudade de um sotaque emoldurado pelo Atlântico, saiba que este é o nosso novo porto seguro de fofoca musical, literatura, filmes, séries, delírio urbano e poeira de velharias.
Começamos esta semana olhando para a 28ª Bienal do Livro de São Paulo. “Ah, Itamar, o evento foi lá no Anhembi, o que tem a ver com quem vive nos EUA?”
Tem tudo, meu caro. Tem a ver com a forma como a gente continua traduzindo o Brasil dentro do peito, mesmo a dez mil quilômetros de distância. E para te trazer o ouro da gema, me dei ao trabalho de ir à terra da garoa, cantada por Caetano Veloso lá no cruzamento sagrado da Avenida Ipiranga com a Avenida São João — som que grudou no meu lóbulo temporal e não saiu mais. Arte é isso: um vírus gracioso que nos habita.
Puxa a cadeira, ajeita o óculos: trago aqui o Top 15 dos livros mais vendidos para servir de sugestão a você, leitor, garimpar o seu exemplar, e preparei uma dica bônus irresistível lá no final da coluna. Segue comigo nesta leitura inteira, pensada para te prender do título ao ponto final:
A 28° Bienal do Livro de São Paulo terminou domingo, 13 de setembro de 2026. Em funcionamento desde o dia 4 de setembro, no Distrito Anhembi, o evento englobou dois fins de semana e contou com corredores lotados em boa parte dos dias.
Segundo informações da organização, trata-se da “maior edição da história”: foram cerca de 760 mil visitantes no decorrer dos 10 dias. O recorde pertencia à última edição, de 2024, com 722 mil. Consta ainda um aumento de 57% em relação à média de faturamento dos expositores, comparado à Bienal anterior.
Houve alguns cancelamentos de última hora, como o da ministra do STF, Cármen Lúcia, e da biógrafa de Freddie Mercury, Lesley-Ann Jones, mas nada que abalasse o circo. E por falar em figura circulando entre os corredores, quem marcou presença de surpresa, misturando teoria da inteligência emocional com cheiro de livro novo e aroma de palanque, foi o psiquiatra e escritor Augusto Cury. A menos de um mês das eleições presidenciais, Cury deu as caras por lá desbravando sua primeira tentativa na corrida presidencial, provando que, quem sabe, o próximo best-seller do homem não seja o manual de sobrevivência do Planalto.
Entre os destaques comportamentais, a grande presença do público jovem trouxe não só a febre dos “dark romance”, mas também o bendito patinho amarelo que a molecada comprou em peso, todo mundo desfilando com aquela febre amarela hilária grudada na cabeça ou na bolsa como se não houvesse amanhã. E não se engane: entre os livros, a garotada comprou autores de sucesso em redes sociais como Lynn Painter ou Ali Hazelwood, mas com obras de mais de 500 páginas.
Em declarações ao Estadão, as principais editoras presentes no evento relataram alta. A Companhia das Letras destacou um aumento de 67% em relação ao faturamento e de 55% em relação ao volume das vendas na Bienal de São Paulo em 2026, comparado à edição anterior, incluindo seus selos como Bloom Brasil, Seguinte e Paralela. O fundador e CEO da editora, Luiz Schwarcz, destacou o evento como “a Bienal da esperança, pela presença maciça de jovens com entusiasmo e amor pelos livros.”
Entre os destaques, o autor Raphael Montes emplacou o 1.º, o 2.º, o 4.º, o 5.º, o 6.º, o 8.º, o 12.º e o 15.º livros mais vendidos da editora. Confira a lista do Top 15 da Companhia das Letras na Bienal 2026:
A estranha na cama, Raphael Montes
Jantar secreto, Raphael Montes
Binding 13, Chloe Walsh
Jantar secreto (edição especial), Raphael Montes
Suicidas, Raphael Montes
Dias perfeitos (edição especial), Raphael Montes
Box Amores improváveis, Elle Kennedy
Uma família feliz, Raphael Montes
O acordo (série Amores improváveis), Elle Kennedy
A cabeça do santo, Socorro Acioli
Heartstopper #6, Alice Oseman
Uma mulher no escuro, Raphael Montes
Dias perfeitos, Raphael Montes
O risco (série Mindfck), S. T. Abby
Bom dia, Verônica, Raphael Montes e Ilana Casoy
Pois é, o nosso brasileiríssimo tupiniquim Raphael Montes vendeu MUITO! Inclusive, o escritor lançou a versão em inglês do livro Jantar Secreto, chamada The Secret Dinner, em Nova York em agosto de 2026. Corre para comprar o seu!
Agora, o meu destaque pessoal, com quem gostei muito de conhecer e bater um papo, e cujos livros agora viraram lei na minha cabeceira: Sara Fidélis e o marido Gustavo Henrique, super simpáticos, carismáticos. Como prometido, lá vai a nossa dica bônus: os principais livros de dark romance de máfia escritos em parceria por eles fazem parte do universo da família Santacroce:
El Diablo Santacroce: Do Sequestro Ao Coração do Mafioso — Música sugerida: "Everybody Wants to Rule the World" (versão da Lorde)
Ettore Santacroce: Do Contrato ao Trono do Don — Música sugerida: "S&M" (Rihanna) ou "Born to Die" (Lana Del Rey)
Essas obras misturam a tensão e os temas pesados do romance de máfia com momentos de comédia e muita química entre os casais. Dizem que o trem é bom viu?
Bom, é isso! Semana que vem tem mais, e se você quiser ouvir estas músicas e acompanhar o meu programa na RBT, você pode se conectar às 8am que já estarei por aqui, esperando por você. Afinal de contas, Rádio Brazilian Times: aqui é o seu lugar. Até a próxima!





