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Coluna Liza Andrews: A Vida Por Trás do Laço Cor-de-Rosa

O Outubro Rosa é o mês de conscientização sobre o câncer de mama. Entre campanhas e lembretes sobre o diagnóstico precoce, vale trazer à conversa uma questão que continua depois dos exames: como fica a vida de quem…

Publicado em 10/29/26
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Coluna Liza Andrews: A Vida Por Trás do Laço Cor-de-Rosa

O Outubro Rosa é o mês de conscientização sobre o câncer de mama. Entre campanhas e lembretes sobre o diagnóstico precoce, vale trazer à conversa uma questão que continua depois dos exames: como fica a vida de quem recebe a notícia? Por trás do laço rosa, há uma pessoa com contas, trabalho, filhos, desejos e planos que precisam encontrar espaço durante o tratamento.

Após anos trabalhando na PictureCure, com bravas mulheres enfrentando os desafios do câncer, percebi que embora a primeira preocupação seja sobreviver, logo surgem outras: quem buscará as crianças? Será possível continuar trabalhando? Como contar à família? O que acontecerá com o corpo? Essas perguntas fazem parte do cuidado. Precisam ser ouvidas, mesmo quando não cabem no tempo de uma consulta.

O Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos explica que o diagnóstico pode provocar medo, raiva, tristeza e sensação de perda de controle. As emoções variam entre pessoas e ao longo do tempo. Não existe uma reação obrigatória, nem uma maneira correta de parecer forte.

Se você recebeu um diagnóstico, não precisa organizar todos os sentimentos antes de pedir ajuda. Se acompanha alguém, procure conhecer as necessidades dessa pessoa antes de decidir o que seria melhor para ela. Algumas atitudes podem facilitar esse caminho:

1.           Não exija coragem o tempo todo: Dizer “você é uma guerreira” pode soar como carinho, mas observe se há espaço para a pessoa também admitir medo e cansaço. Pergunte como ela está naquele dia. Não transforme uma conversa em cobrança por otimismo. O Instituto Nacional do Câncer americano ressalta que não é preciso manter uma atitude positiva o tempo inteiro.

2.           Ofereça ajuda com endereço e horário: “Se precisar, me avise” deixa com a paciente o trabalho de identificar uma tarefa, escolher alguém e pedir. Experimente: “Posso levar você à consulta na terça?” ou “Quer que eu prepare o jantar de quinta?”. A American Cancer Society recomenda organizar ajuda para necessidades práticas. Confirme o que seria útil e respeite uma recusa.

3.           Preserve as escolhas: A pessoa pode querer companhia numa consulta e preferir silêncio depois dela. Pode compartilhar informações com uma amiga e ainda não desejar contar aos colegas. Pergunte antes de divulgar o diagnóstico, organizar visitas ou publicar mensagens. Receber cuidado não significa entregar aos outros o controle da própria intimidade.

4.           Não faça comparações: A história da vizinha não permite prever o que acontecerá com sua irmã. O tratamento depende das características da doença e da avaliação da equipe. Evite apresentar receitas, suplementos ou relatos da internet como soluções. Se surgir uma dúvida, ajude a anotá-la para conversar com quem acompanha o caso.

Há também mudanças que podem ser difíceis de mencionar. Cirurgias e outros tratamentos podem afetar a aparência, a imagem corporal e a vida sexual. O Instituto Nacional do Câncer americano orienta conversar sobre essas questões com a equipe e buscar apoio quando necessário. Não suponha que alguém queira ouvir comentários sobre beleza, cabelo ou reconstrução. Pergunte como pode ajudar.

No relacionamento amoroso, deixe espaço para conversar sobre toque, desejo e limites, sem cobranças. A pessoa pode querer proximidade e não desejar contato sexual naquele momento. Pode sentir saudade de uma rotina que parecia simples. Escute o que ela consegue expressar, sem tratar suas dúvidas como ingratidão por estar recebendo tratamento.

No trabalho, a pergunta não deve se limitar a “quando você volta?”. Segundo a American Cancer Society, é mais eficiente discutir horários, tarefas e a melhor forma daquela profissional oferecer consultas remotas. Se você é colega ou gestor, pergunte o que pode ser ajustado e preserve a confidencialidade. Não presuma incapacidade, mas também não interprete a continuidade do trabalho como sinal de que nada mudou.

Em casa, observe quem ficou responsável por organizar cada coisa. A paciente ainda precisa lembrar os horários dos filhos, fazer a lista de compras e distribuir tarefas? Ajuda que depende de instruções a cada passo pode manter sobre ela parte da carga que se pretendia aliviar. Combine responsabilidades claras, de acordo com o que a família consegue assumir.

Faça uma reflexão: você tem oferecido o apoio que a pessoa pediu ou aquele que faz você se sentir útil? Consegue ouvi-la sem mudar de assunto quando surge o medo? Continua presente quando não há novidade para contar?

Essas perguntas também valem depois de uma cirurgia ou do fim de uma etapa do tratamento. Não determine uma data para que tudo volte ao normal. Pergunte quais dificuldades continuam e como a ajuda pode se adaptar. Uma mensagem sem cobrança de resposta pode abrir espaço para contato.

Para quem está em tratamento, vale preparar uma lista de perguntas antes da consulta. Inclua preocupações com sono, dor, cansaço, trabalho, intimidade e despesas. Pergunte se o serviço dispõe de psicologia, serviço social ou grupos de apoio. Essas necessidades merecem atenção junto com as decisões médicas.

Os outubros passam, e os laços rosas deixam as vitrines. Porém, as consultas, dúvidas e tarefas de casa não seguem esse calendário. Se quiser apoiar alguém, escolha uma ação que possa cumprir nesta semana. Pergunte se ela ajuda. Depois, mantenha o combinado.

Liza Andrews é jornalista, apresentadora de TV em Nova Iorque e criadora do método PictureCure que ajuda mulheres sobreviventes do câncer a retomar sua autoestima. Acompanhe e envie perguntas e sugestões para a colunista pelo Instagram @LizaAndrewsOficial

Fonte: Da redação

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