Uma orientação para aumentar as prisões de imigrantes nos Estados Unidos coloca em evidência uma contradição: enquanto fontes ouvidas pela CNN relatam metas numéricas para os agentes, o governo afirma que não existem cotas de detenções.
Segundo a reportagem, a liderança do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) orientou agentes de todo o país a retomar a meta de 3.000 prisões diárias, cerca de 1.000 a mais que a média recente. A determinação teria sido transmitida verbalmente na terça-feira, conforme duas fontes familiarizadas com o assunto.
Os agentes também teriam recebido orientação para buscar 19.000 prisões por semana, considerando a redução das operações nos fins de semana. Uma das fontes afirmou que a intenção é ampliar ao máximo as detenções para deportação.
Procurado pela CNN, o Departamento de Segurança Interna declarou que “não existem cotas de prisões”. O governo descreve os números como metas e afirma que os agentes não são punidos quando não conseguem alcançá-las.
Imigrantes sem antecedentes no centro da discussão
A intensificação das operações ocorre com a aproximação das eleições de meio de mandato e enfrenta críticas até entre republicanos. Uma das principais preocupações é o aumento das detenções de imigrantes indocumentados sem antecedentes criminais.
A deputada republicana Maria Elvira Salazar, da Flórida, se distanciou do presidente em um anúncio de campanha. Representantes do setor agrícola também manifestaram preocupação com operações que interromperam temporariamente suas atividades.
Segundo os números apresentados pela CNN, o ICE deteve aproximadamente 51 mil pessoas em agosto, superando as mais de 46 mil registradas em julho e estabelecendo um novo recorde mensal do atual governo.
Mais detenções, mais estruturas temporárias
Para acomodar o aumento das operações, o Departamento de Segurança Interna busca empresas para construir instalações temporárias de detenção, processamento e realização de audiências virtuais de imigração.
O secretário Markwayne Mullin afirmou à CNN que a prioridade é localizar pessoas consideradas mais perigosas. Na mesma entrevista, porém, declarou que os agentes devem prender pessoas em situação irregular quando entram em contato com elas, independentemente do tempo de residência no país.
Entre metas anunciadas internamente e negativas públicas sobre cotas, a questão central permanece: quem está sendo detido na corrida para ampliar os números?





