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Advogado que votou em Trump vê primo ser deportado e desabafa: “Não foi nisso que votei”

Morador de Miami, Ismael Labrador afirma que apoiou o presidente americano acreditando que as deportações seriam direcionadas principalmente a imigrantes com antecedentes criminais. A expulsão de um familiar para Cuba mudou sua percepção sobre a política migratória.

Publicado em 11/02/26
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Advogado que votou em Trump vê primo ser deportado e desabafa: “Não foi nisso que votei”

Da redação

O advogado cubano-americano Ismael Labrador, que vive em Miami, na Flórida, tornou pública sua decepção com a política migratória do presidente Donald Trump depois que um primo foi deportado dos Estados Unidos para Cuba. Em entrevista à BBC, Labrador revelou que votou no republicano nas eleições presidenciais de 2024, mas afirmou que não esperava que as medidas de deportação atingissem um número tão amplo de imigrantes.

Segundo o advogado, sua decisão de apoiar Trump estava relacionada à expectativa de que o governo concentrasse os esforços de fiscalização e deportação em estrangeiros com antecedentes criminais. Entretanto, a experiência vivida por sua própria família o levou a questionar a maneira como as operações estão sendo conduzidas.

"Não foi nisso que votei", declarou Labrador à BBC, ao comentar a deportação do primo, que ocorreu apesar de seus esforços jurídicos para tentar impedir a medida.

O episódio ganhou repercussão por envolver um profissional que atua na área de imigração e que, mesmo conhecendo os procedimentos legais, não conseguiu evitar a expulsão de um integrante de sua família.

Labrador também relatou preocupação com a situação de milhares de famílias cubanas que vivem nos Estados Unidos, especialmente aquelas que possuem parentes sem residência permanente. Segundo ele, o aumento das detenções e deportações tem provocado insegurança entre pessoas que construíram suas vidas no país, mas ainda enfrentam processos de regularização migratória.

A comunidade cubana da Flórida, particularmente na região de Miami, possui uma longa história de participação política nos Estados Unidos. Parte expressiva desse eleitorado tradicionalmente apoia candidatos republicanos, embora as políticas migratórias do atual governo tenham provocado questionamentos entre alguns de seus próprios apoiadores.

O caso de Labrador evidencia uma das discussões que ganharam força desde o retorno de Trump à Casa Branca: a diferença entre a expectativa de eleitores que defendiam deportações direcionadas a pessoas com histórico criminal e a aplicação de medidas que também alcançam outros imigrantes sujeitos à remoção pelas leis americanas.

O governo Trump, por sua vez, sustenta que o endurecimento da fiscalização migratória faz parte das promessas apresentadas durante a campanha presidencial e que as autoridades federais têm a responsabilidade de aplicar a legislação de imigração.

Além da situação enfrentada por sua família, Labrador alertou para o impacto emocional das operações sobre comunidades imigrantes. O receio de detenções e separações familiares, segundo seu relato, tornou-se uma preocupação constante entre cubanos que ainda não conseguiram obter a residência permanente.

A reportagem da BBC não detalhou a identidade do primo deportado, sua situação migratória anterior ou os fundamentos jurídicos utilizados pelas autoridades para determinar sua saída dos Estados Unidos.

A declaração do advogado chama a atenção para as consequências pessoais das políticas migratórias, inclusive entre famílias que apoiaram eleitoralmente o presidente americano.

Para Ismael Labrador, a deportação de seu primo transformou uma discussão política em uma experiência familiar dolorosa, levando-o a manifestar publicamente sua insatisfação com os rumos da fiscalização migratória nos Estados Unidos.

Fonte: Brazilian Times

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