Brazilian Times

O primeiro semanário brasileiro nos EUA

Após vitória de Lula, importante banco dos EUA rebaixa recomendação para o Brasil e alerta queda de até 20% na Bolsa

Um dos maiores bancos dos Estados Unidos prevê forte turbulência no mercado financeiro brasileiro, com possibilidade de disparada do dólar e desvalorização de ações após o resultado da eleição presidencial.

Publicado em 10/27/26
Compartilhar:f𝕏W
Após vitória de Lula, importante banco dos EUA rebaixa recomendação para o Brasil e alerta queda de até 20% na Bolsa

Da redação

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro na eleição presidencial brasileira de domingo, 25 de outubro, provocou uma mudança na avaliação do JPMorgan sobre os investimentos no Brasil. O banco norte-americano reduziu sua recomendação para ativos brasileiros e alertou para o risco de perdas expressivas no mercado financeiro nos próximos dias.

De acordo com relatório divulgado nesta segunda-feira (26), os analistas da instituição projetam que o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, poderá registrar uma queda de até 20%, enquanto o dólar poderá atingir R$ 5,50 diante da reação dos investidores ao resultado eleitoral.

A avaliação reflete preocupações do mercado com os rumos da política econômica brasileira, especialmente em relação ao controle dos gastos públicos, à situação fiscal e às decisões que serão adotadas pelo governo.

O JPMorgan rebaixou sua recomendação para o real e para os títulos públicos brasileiros de overweight, classificação utilizada quando um investimento apresenta perspectivas consideradas mais favoráveis, para marketweight, posição neutra que indica maior cautela.

A mudança representa um sinal de alerta para investidores internacionais que mantêm recursos aplicados no país.

Segundo os analistas, o resultado das eleições pode provocar uma onda de vendas de ativos brasileiros, pressionando o mercado de ações, elevando a cotação do dólar e aumentando a volatilidade das taxas de juros.

O banco também mencionou a possibilidade de acionamento do chamado circuit breaker, mecanismo utilizado pela Bolsa de Valores para interromper temporariamente as negociações em momentos de quedas acentuadas.

 

Ações brasileiras sofrem pressão nos Estados Unidos

Os primeiros sinais de preocupação apareceram no mercado financeiro americano.

Na manhã desta segunda-feira, o ETF EWZ, fundo negociado nos Estados Unidos que acompanha o desempenho de ações brasileiras, registrava queda superior a 26% nas negociações de pré-mercado.

Papéis de importantes instituições financeiras brasileiras, incluindo Itaú, Bradesco e XP, também apresentavam perdas expressivas.

Essas movimentações, entretanto, representam negociações realizadas antes da abertura regular do mercado e não significam necessariamente que as perdas serão mantidas ao longo do dia.

A reação demonstra a sensibilidade dos investidores diante das expectativas sobre a condução da economia brasileira após a eleição.

 

Dólar pode chegar a R$ 5,50

Outro ponto destacado pelo JPMorgan é a possibilidade de valorização da moeda americana em relação ao real.

O banco trabalha com um cenário no qual o dólar poderá alcançar R$ 5,50, impulsionado pela busca dos investidores por ativos considerados mais seguros e pela possível saída de recursos do mercado brasileiro.

Uma valorização expressiva da moeda americana pode afetar diretamente a economia, aumentando os custos de produtos importados, viagens internacionais e operações comerciais realizadas em dólar.

Por outro lado, empresas exportadoras podem encontrar oportunidades com a desvalorização do real, já que recebem parte de suas receitas em moeda estrangeira.

 

Mercado aguarda sinais do governo

A avaliação negativa do JPMorgan ocorre em um momento de incerteza sobre as próximas decisões econômicas do governo brasileiro.

Entre os principais pontos acompanhados pelos investidores estão a política fiscal, o controle das despesas públicas, a trajetória da dívida e a capacidade de manter a confiança do mercado financeiro.

A reação dos investidores também dependerá das declarações das autoridades econômicas e das medidas anunciadas para os próximos meses.

Apesar do alerta, especialistas ressaltam que projeções financeiras representam cenários de risco e não garantem que as perdas estimadas realmente ocorrerão.

O rebaixamento da recomendação pelo JPMorgan coloca o Brasil sob maior atenção dos investidores internacionais e indica que os próximos dias poderão ser decisivos para avaliar a intensidade da reação do mercado ao resultado das urnas.

Fonte: Brazilian Tims

Compartilhar matéria:

Veja também