A disputa sobre a atuação do ICE chegou ao direito de praticar a própria fé. A Arquidiocese de St. Louis, no Missouri, entrou com uma ação federal contra autoridades locais e dirigentes da agência de imigração, alegando que imigrantes católicos detidos estão sendo impedidos de receber comunhão, participar de missas e se confessar adequadamente.
Segundo o processo, apresentado na segunda-feira (5), a unidade de detenção do condado de Ste. Genevieve permite visitas através de uma divisória de vidro, com comunicação por telefone e sem contato físico. A Arquidiocese afirma que essas condições inviabilizam a administração de sacramentos que exigem presença pessoal e, no caso da confissão, privacidade.
O ponto que acirra a disputa: a ação afirma que alguns advogados e representantes consulares recebem exceções às regras, enquanto os pedidos de acesso presencial de padres foram negados. Para a instituição religiosa, essa diferença representa tratamento desigual.
Conforme a ação, o administrador da unidade informou que a política de visitas foi estabelecida pelo ICE e que não tinha autoridade para alterá-la.
A Arquidiocese pede que a Justiça declare as restrições inconstitucionais e determine mudanças. Também solicita a suspensão do envio de recursos federais e de novos detidos à unidade até que sejam garantidas condições para os serviços religiosos católicos.
Procurada pela KTVI, a unidade informou que ainda não havia recebido a documentação do processo e que encaminharia o material à assessoria jurídica. O ICE não havia respondido até a publicação da reportagem original.
No centro do caso está uma pergunta: como garantir a liberdade religiosa de quem está sob custódia do governo?





