Brazilian Times

O primeiro semanário brasileiro nos EUA

Auditoria aponta falhas em expansão milionária da estrutura de detenção do ICE

A corrida do governo dos Estados Unidos para aumentar o número de vagas destinadas à detenção migratória resultou em compras que foram posteriormente revistas e em pelo menos US$ 20 milhões em despesas sem possibilidade…

Publicado em 09/26/26
Compartilhar:f𝕏W
Auditoria aponta falhas em expansão milionária da estrutura de detenção do ICE

A corrida do governo dos Estados Unidos para aumentar o número de vagas destinadas à detenção migratória resultou em compras que foram posteriormente revistas e em pelo menos US$ 20 milhões em despesas sem possibilidade de recuperação. A conclusão aparece em uma auditoria do Government Accountability Office (GAO), órgão de fiscalização ligado ao Congresso.

O levantamento analisou a estratégia adotada pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) para ampliar rapidamente sua infraestrutura. Segundo os auditores, decisões envolvendo valores bilionários foram tomadas sem que a agência tivesse concluído avaliações suficientes sobre custos futuros e necessidades operacionais.

Entre janeiro e abril de 2026, o ICE desembolsou aproximadamente US$ 1,07 bilhão na aquisição de 11 armazéns. A proposta era adaptar esses imóveis para receber pessoas mantidas sob custódia da imigração.

O projeto, no entanto, passou por uma mudança significativa. Sete dos 11 imóveis deixaram de fazer parte dos planos da agência e deverão ser colocados à venda.

Essa alteração já trouxe consequências financeiras. De acordo com o GAO, mais de US$ 20 milhões foram gastos em despesas relacionadas às propriedades que não poderão ser recuperadas. O valor inclui procedimentos ligados às aquisições, estudos, segurança, manutenção e serviços necessários enquanto os imóveis permaneceram sob responsabilidade do governo.

O impacto financeiro poderá ser ainda maior. Os sete armazéns custaram aproximadamente US$ 707 milhões e uma eventual venda abaixo do preço de aquisição poderá aumentar as perdas para os cofres públicos.

Ao mesmo tempo em que abandonava parte desse projeto, o ICE direcionou recursos para outro modelo de expansão. Em julho e agosto, cerca de US$ 2,2 bilhões foram utilizados na aquisição de quatro centros de detenção anteriormente pertencentes à CoreCivic. A empresa privada continuou envolvida na administração dessas instalações por meio de contratos com o governo.

Parte do dinheiro reservado para aquisições imobiliárias permaneceu sob responsabilidade da Chicago Title Insurance. Caso não existam outras operações ainda não divulgadas, aproximadamente US$ 1,55 bilhão continuaria disponível para futuras compras.

A expansão ganhou força depois que o Congresso aprovou US$ 75 bilhões adicionais para o ICE por meio da legislação conhecida como One Big Beautiful Bill Act. Desse montante, US$ 45 bilhões foram direcionados especificamente ao aumento da capacidade de detenção.

Os novos recursos provocaram uma forte aceleração nas despesas da agência. Dados federais analisados pela CBS News indicam gastos de aproximadamente US$ 19 bilhões entre outubro de 2025 e julho de 2026. Durante todo o ano fiscal anterior, o total havia ficado em cerca de US$ 11 bilhões.

A agência também avançou com novos contratos para ampliar sua rede. Somente nesta semana, acordos concedidos a diferentes empresas poderão alcançar, em conjunto, cerca de US$ 10 bilhões para construção e expansão de instalações.

Para o GAO, o ritmo das operações precisa ser acompanhado de uma estratégia mais detalhada. A auditoria identificou problemas na definição das necessidades futuras de vagas e na análise dos custos de longo prazo associados aos projetos.

Heather MacLeod, diretora da área de Segurança Interna e Justiça do GAO, afirmou que a fiscalização encontrou uma ausência ampla de planejamento e que mudanças feitas durante o processo contribuíram para despesas desnecessárias.

O ICE informou que pretende apresentar um plano estratégico até 31 de agosto de 2027. O GAO considera que esperar até essa data representa um risco diante do volume de recursos atualmente disponível e recomendou que o planejamento seja concluído antes.

A auditoria não determinou o tamanho total de possíveis perdas financeiras relacionadas à expansão. O órgão federal informou que uma análise adicional sobre os gastos da agência está em andamento.

Fonte: Da redação

Compartilhar matéria:

Veja também