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Cidadã americana baleada por agente de imigração processa governo e contesta versão sobre os tiros

Ação afirma que análise da trajetória dos disparos indica que agente da CBP continuou atirando quando já não estaria na frente do veículo; acusações criminais contra a mulher foram retiradas

Publicado em 10/10/26
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Cidadã americana baleada por agente de imigração processa governo e contesta versão sobre os tiros

Da Redação

Uma cidadã americana baleada por um agente federal durante uma operação de imigração em Chicago entrou com uma ação contra o governo dos Estados Unidos, alegando uso excessivo da força e contestando a versão apresentada inicialmente pelas autoridades sobre as circunstâncias dos disparos.

Marimar Martinez, de 31 anos, foi baleada em 4 de outubro de 2025 durante a Operation Midway Blitz, uma ampla operação de fiscalização migratória realizada na região de Chicago.

O agente envolvido no episódio foi identificado como Charles Exum, da U.S. Customs and Border Protection (CBP), baseado no Maine.

Segundo a ação, Exum disparou cinco vezes contra o veículo de Martinez em menos de um segundo. Ela sofreu sete ferimentos provocados pelos tiros.

Na época, autoridades federais afirmaram que Martinez teria utilizado seu veículo para atingir e bloquear o SUV do agente. A justificativa apresentada para o uso da arma foi de que Exum acreditava estar diante de uma ameaça.

Martinez chegou a enfrentar acusações federais relacionadas ao episódio. Posteriormente, entretanto, os promotores retiraram o processo criminal contra ela.

Agora, os advogados da americana afirmam possuir evidências que colocariam em dúvida a versão inicial sobre o tiroteio.

Um especialista contratado pela defesa analisou a trajetória dos projéteis e os ferimentos sofridos por Martinez. De acordo com as conclusões apresentadas na ação, o agente não estaria diretamente na trajetória do automóvel quando efetuou os disparos.

Os advogados sustentam que três tiros atravessaram o para-brisa pelo lado do passageiro e outro passou pela janela dianteira do passageiro.

A análise afirma ainda que o último disparo teria atingido o veículo pela região traseira ou lateral, quando o agente já não estaria posicionado diante do carro.

Essas conclusões fazem parte das alegações apresentadas pelos representantes de Martinez e deverão ser analisadas no processo judicial.

A ação também cita gravações feitas pela câmera corporal de outro agente federal que estava no local.

Segundo os advogados de Martinez, comentários registrados antes do confronto são relevantes para determinar as circunstâncias que antecederam o uso da força. O conteúdo das gravações foi incluído entre os elementos utilizados pela defesa para sustentar as acusações contra o governo.

Após ser baleada, Martinez recebeu atendimento médico. De acordo com a ação, ela posteriormente foi presa pelo FBI ao deixar o hospital.

Dois dias depois, um juiz determinou sua libertação. As acusações criminais apresentadas contra ela acabaram sendo retiradas posteriormente pelos promotores federais.

Agente foi afastado administrativamente

A CBP informou que Charles Exum foi colocado em licença administrativa. A agência também afirmou que episódios envolvendo uso da força são investigados e passam por procedimentos internos de revisão.

A ação foi apresentada contra o governo dos Estados Unidos, com base no Federal Tort Claims Act, legislação que permite, em determinadas circunstâncias, que pessoas busquem indenização por danos atribuídos a funcionários federais durante o exercício de suas funções.

O processo deverá agora discutir se o uso da força foi justificado nas circunstâncias do episódio e se as evidências apresentadas pela defesa de Martinez contradizem a versão inicialmente apresentada pelas autoridades federais.

O caso ganhou atenção também por envolver uma cidadã americana em meio a uma operação federal de imigração, ampliando o debate sobre os limites da atuação dos agentes e o emprego da força durante ações migratórias nos Estados Unidos.

Fonte: Brazilian Times

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