As ações de fiscalização migratória e as deportações realizadas nos Estados Unidos estariam produzindo efeitos que vão além das comunidades de imigrantes e já alcançam diferentes setores da economia americana. É o que aponta um estudo divulgado pela organização America’s Voice, que relaciona a redução da disponibilidade de trabalhadores ao aumento de custos para empresas e consumidores.
O levantamento chama esse impacto econômico de “Imposto ICE” e destaca setores com forte participação de trabalhadores imigrantes, como construção civil, paisagismo, alimentação, manutenção e serviços de saúde. Segundo a organização, a diminuição da mão de obra disponível pode elevar despesas das empresas e, consequentemente, pressionar os preços pagos pela população.
Entre os números apresentados, o estudo aponta aumento de 10,7% nos custos relacionados à saúde e de 10,8% no setor de paisagismo. Na construção de moradias, os aumentos teriam chegado a 15,4% em determinadas regiões dos Estados Unidos.
O Texas aparece entre os estados destacados pelo levantamento. Segundo o relatório, a atividade no setor de construção registrou queda de aproximadamente 5%, em um cenário de redução da disponibilidade de trabalhadores.
O estudo também estima que as medidas de imigração adotadas ao longo de 2025 estejam relacionadas à perda de aproximadamente 668 mil postos de trabalho nos Estados Unidos. Desse total, cerca de 51 mil empregos seriam ocupados por trabalhadores nascidos no próprio país, indicando, segundo a organização, que os efeitos podem atingir também cidadãos americanos.
Um professor de economia da Universidade de Houston citado na análise explicou que, quando há redução significativa da força de trabalho, empresas podem enfrentar dificuldades para manter o mesmo nível de produção. Com menos trabalhadores disponíveis, a oferta de determinados produtos e serviços pode diminuir enquanto os custos operacionais aumentam, criando pressão sobre os preços.
A America’s Voice utiliza a expressão “Imposto ICE” para descrever esses custos indiretos que, de acordo com sua análise, estariam associados às operações de imigração e deportações. A expressão não representa um imposto oficial cobrado pelo governo, mas uma forma utilizada pela organização para caracterizar o impacto econômico que atribui às políticas de fiscalização migratória.
O levantamento acrescenta uma perspectiva econômica ao debate sobre imigração nos Estados Unidos, ao argumentar que mudanças na disponibilidade de mão de obra podem produzir consequências não apenas para trabalhadores estrangeiros, mas também para empresas, consumidores e outros trabalhadores em diferentes regiões do país.





