Da Redação
Dois imigrantes da República Dominicana que estão sendo procurados pelas autoridades foram identificados como suspeitos de esfaquear sete vezes um detetive do Departamento de Polícia de Nova York (NYPD) que estava de folga. Segundo autoridades federais, ambos entraram irregularmente nos Estados Unidos e já haviam sido presos anteriormente em Nova York.
Os suspeitos foram identificados como D’Angelo Caraballo, de 25 anos, e Sneider Mejia, de 24. Até a divulgação das informações pelas autoridades, os dois permaneciam foragidos.
O ataque aconteceu por volta das 13h45 de sexta-feira, na região da Rochambeau Avenue com a East 208th Street, no bairro de Norwood, no Bronx. De acordo com a polícia, o detetive Jose Mercedes retirava objetos do porta-malas de seu veículo quando os dois homens se aproximaram em uma bicicleta elétrica.
As autoridades afirmam que a dupla tentou roubar uma corrente de ouro usada pelo policial. Mercedes reagiu e, durante a luta, foi esfaqueado sete vezes. Os suspeitos fugiram na bicicleta elétrica, enquanto o detetive ficou ferido na calçada.
Mercedes, que trabalha no 44º Distrito Policial do Bronx, foi levado ao Jacobi Medical Center. Apesar da quantidade de golpes, a faca não teria atingido órgãos vitais. Ele recebeu tratamento e deixou o hospital na segunda-feira.
Imagens de câmeras de segurança registraram dois homens que seriam os suspeitos deixando a região após o ataque. A polícia iniciou uma ampla operação para tentar localizá-los.
Segundo o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS), Mejia entrou irregularmente no país com familiares pela fronteira com o México, nas proximidades de San Luis, no Arizona, em dezembro de 2022. Ele teria sido detido pela Patrulha de Fronteira e posteriormente liberado enquanto seu processo migratório seguia.
Já em Nova York, Mejia foi preso no Bronx, em 2025, sob acusação de posse de arma. Segundo o DHS, ele também possui registros relacionados a posse de propriedade roubada, ferramentas utilizadas em arrombamentos e furto de maior valor. A situação judicial de parte dessas acusações não foi detalhada.
Caraballo, por sua vez, teria sido detido após atravessar irregularmente a fronteira na mesma região do Arizona, em fevereiro de 2023. Ele foi liberado com determinação para comparecer posteriormente à Justiça, mas, segundo as autoridades federais, deixou de acompanhar o processo.
Posteriormente, Caraballo foi preso pelo menos duas vezes pelo NYPD. Em julho, teria sido acusado de ameaçar esfaquear uma pessoa de quem alugava um quarto no Bronx. Ele também responde a um caso de 2025 envolvendo a suposta posse de uma pistola Taurus calibre .380 carregada dentro de um veículo.
Nesse processo, promotores do Bronx solicitaram fiança de US$ 10 mil em dinheiro ou US$ 30 mil por meio de garantia. Um juiz, no entanto, determinou sua liberação sem pagamento de fiança, sob supervisão.
O DHS informou ainda que Caraballo possui registros envolvendo acusações de direção imprudente, fuga de policial em veículo, perigo imprudente, posse de ferramentas para arrombamento e posse de substância controlada. Não foram divulgados detalhes sobre o resultado de todos esses processos.
De acordo com o governo federal, o ICE chegou a apresentar uma ordem de retenção migratória após uma das prisões de Caraballo. Autoridades federais voltaram a criticar as políticas de “cidade-santuário” de Nova York, que limitam, em determinadas circunstâncias, a cooperação das autoridades locais com os agentes federais de imigração.
O secretário do DHS, Markwayne Mullin, afirmou que os dois suspeitos haviam sido liberados nos Estados Unidos durante o governo do ex-presidente Joe Biden e posteriormente voltaram às ruas mesmo após prisões em Nova York. Ele pediu maior cooperação das autoridades locais com o ICE para localizar os dois homens.
Familiares de Mercedes também criticaram o sistema judicial após o ataque. Ricardo Mercedes, tio do detetive, afirmou que deseja uma postura mais rigorosa contra pessoas que voltam às ruas depois de serem presas.
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e a comissária do NYPD, Jessica Tisch, visitaram Mercedes durante sua internação. Na segunda-feira, ao deixar o hospital, o policial foi recebido por colegas e fez um sinal positivo com o polegar.
Mercedes ingressou no NYPD em julho de 2016 e, segundo familiares, foi o primeiro integrante da família a seguir carreira policial.
As buscas por Caraballo e Mejia continuam, e as autoridades pedem informações que possam ajudar na localização dos dois suspeitos.





