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Esquema de casamentos falsos para obter Green Cards envolveu mais de 1.000 uniões e chegou a Connecticut

Um esquema de fraude migratória que teria organizado mais de 1.000 casamentos falsos entre cidadãos americanos e estrangeiros funcionou durante anos nos Estados Unidos e teve forte atuação em Connecticut, onde pelo…

Publicado em 08/26/26
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Esquema de casamentos falsos para obter Green Cards envolveu mais de 1.000 uniões e chegou a Connecticut

Um esquema de fraude migratória que teria organizado mais de 1.000 casamentos falsos entre cidadãos americanos e estrangeiros funcionou durante anos nos Estados Unidos e teve forte atuação em Connecticut, onde pelo menos 100 cerimônias teriam sido realizadas entre 2020 e 2023.

A dimensão da operação foi revelada em uma acusação federal recentemente tornada pública no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York. Onze pessoas foram acusadas de participar da rede, que, segundo os promotores, funcionava desde pelo menos 2016 e tinha como objetivo permitir que estrangeiros obtivessem Green Cards por meio de casamentos fraudulentos.

A maioria dos estrangeiros atendidos pelo esquema seria formada por cidadãos chineses.

Embora grande parte da operação estivesse concentrada em Nova York, os investigadores afirmam que a organização também promoveu casamentos fraudulentos em Connecticut, Massachusetts, Pennsylvania, Kentucky, Tennessee, Georgia e Florida, além de cerimônias em Vanuatu e na China.

Segundo a acusação, Amy Cheng, Xiao Mei Chan, Christine Lu e Jing Yan Ye, todas de Nova York, participaram da organização de pelo menos 100 casamentos fraudulentos em Connecticut entre aproximadamente 2020 e 2023.

Outro acusado, Gang Zheng, teria organizado dezenas de outras uniões no estado entre 2023 e 2026. Um celebrante identificado nos documentos judiciais apenas como “Officiant-1” teria oficializado dezenas dessas cerimônias.

A acusação não informa todas as cidades de Connecticut onde os casamentos ocorreram. Um dos poucos locais identificados é Middletown, onde pelo menos uma cerimônia considerada fraudulenta pelos investigadores teria sido realizada em julho de 2023. 

Como funcionava o esquema

De acordo com o Departamento de Justiça, a organização possuía uma estrutura relativamente sofisticada.

Os investigadores identificaram três grupos principais: facilitadores, responsáveis por administrar a operação e encontrar estrangeiros interessados; recrutadores, encarregados de localizar cidadãos americanos dispostos a participar dos casamentos; e assistentes, que preparavam documentos migratórios e coordenavam a apresentação dos pedidos de Green Card.

A rede também recorria a celebrantes de casamento, advogados, preparadores de impostos, fornecedores de seguros e outros prestadores de serviços.

Segundo os promotores, Ye administrava um escritório instalado dentro de uma escola de direção no Brooklyn, em Nova York, que teria funcionado como um dos centros operacionais do esquema.

Os clientes estrangeiros eram encontrados por meio de indicações, redes sociais e anúncios de serviços migratórios.

Depois que um cidadão americano e um estrangeiro eram colocados em contato, o casamento era realizado. A partir daí começava outra etapa: produzir evidências para fazer a relação parecer verdadeira perante as autoridades de imigração.

Fotos, contas bancárias e declarações de impostos

Os casais teriam sido orientados a reunir fotografias das cerimônias, abrir contas bancárias conjuntas, apresentar declarações de impostos em conjunto e até contratar seguros de vida.

Esses documentos poderiam posteriormente ser apresentados ao Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS) como evidências de que o relacionamento era legítimo.

Segundo a acusação, os participantes também recebiam treinamento antes das entrevistas migratórias.

Durante essas sessões, os supostos casais eram preparados para responder perguntas que agentes do USCIS provavelmente fariam sobre o relacionamento e a vida em comum.

Depois que o estrangeiro conseguia o Green Card permanente, integrantes da organização também poderiam auxiliar o casal a realizar o divórcio, segundo os promotores.

Estrangeiros pagavam até US$ 100 mil

Os valores envolvidos chamaram a atenção dos investigadores.

Segundo a acusação, estrangeiros interessados em conseguir residência permanente através do esquema chegavam a pagar até US$ 100 mil aos facilitadores.

Considerando a dimensão e o período de funcionamento da organização, o Departamento de Justiça estima que a rede tenha arrecadado dezenas de milhões de dólares de estrangeiros interessados em obter residência permanente. Parte desse dinheiro era repassada aos cidadãos americanos.

Os participantes recrutados para casar com estrangeiros poderiam receber até US$ 30 mil.

O pagamento geralmente era dividido em etapas: uma parcela depois do casamento, outra quando o estrangeiro recebia o Green Card condicional e a última depois da obtenção da residência permanente.

Os recrutadores, por sua vez, poderiam receber até US$ 5 mil por cidadão americano encontrado para participar do esquema.

Segundo os investigadores, alguns recrutadores eram escolhidos entre pessoas que anteriormente já haviam participado de casamentos fraudulentos.

Fonte: Da redação

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