Da redação
O governo dos Estados Unidos autorizou testes de uma tecnologia militar capaz de provocar uma intensa sensação de queimadura na pele de pessoas a uma distância de aproximadamente um quilômetro. O equipamento poderá ser utilizado em operações de segurança na fronteira com o México, levantando preocupações sobre os riscos para imigrantes que tentam entrar no território norte-americano.
Segundo reportagem divulgada pela CNN em 21 de outubro de 2026, o Pentágono autorizou o Departamento de Segurança Interna (DHS) a testar o chamado Active Denial System (ADS), conhecido como uma arma de energia dirigida ou, popularmente, como “raio de calor”.
O sistema foi desenvolvido para dispersar multidões sem a utilização de munição convencional. Diferentemente de um laser tradicional, o equipamento emite ondas eletromagnéticas de alta frequência, capazes de aquecer rapidamente a superfície da pele humana.
A exposição provoca uma sensação intensa de calor e dor, fazendo com que a pessoa tente se afastar imediatamente da área atingida.
Embora seja classificado pelas autoridades militares como uma arma não letal, o equipamento já esteve associado a episódios de queimaduras de segundo grau durante testes, o que levanta questionamentos sobre sua segurança.
De acordo com as informações divulgadas, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, autorizou o empréstimo temporário do equipamento ao DHS por um período de sete meses.
A medida abre caminho para avaliações sobre sua possível utilização em operações de controle de fronteira, especialmente em situações envolvendo grupos de pessoas tentando atravessar irregularmente para os Estados Unidos.
O alcance do sistema pode chegar a aproximadamente um quilômetro, dependendo da versão utilizada e das condições de operação.
A possibilidade de empregar essa tecnologia em operações migratórias desperta preocupações sobre o uso da força contra pessoas que buscam atravessar a fronteira, incluindo famílias e indivíduos em situação de vulnerabilidade.
Apesar de ser apresentada como uma alternativa às armas convencionais, a tecnologia não está livre de riscos. O sistema foi projetado para provocar dor intensa por meio do aquecimento superficial da pele, sem necessariamente causar lesões permanentes. Entretanto, exposições inadequadas ou prolongadas podem representar riscos de queimaduras.
A classificação como arma não letal também não significa que sua utilização seja completamente segura em todas as circunstâncias.
Especialistas em direitos humanos e segurança pública têm motivos para questionar os critérios de utilização de equipamentos desse tipo, principalmente quando empregados contra populações civis.
É importante destacar que a autorização para realização de testes não significa que o equipamento já esteja sendo utilizado contra imigrantes na fronteira.
Até o momento, as informações divulgadas não confirmam operações nas quais agentes norte-americanos tenham empregado essa tecnologia para atingir pessoas que tentavam entrar nos Estados Unidos.
Também não há confirmação de que o governo tenha aprovado sua utilização operacional permanente.
A iniciativa, entretanto, representa uma possível mudança nos recursos tecnológicos disponíveis para as autoridades responsáveis pela segurança das fronteiras.
O assunto ganha relevância em meio ao endurecimento das políticas migratórias norte-americanas e ao debate sobre os limites do uso da força nas operações de fiscalização.
Caso o equipamento seja efetivamente incorporado às operações de fronteira, sua utilização deverá levantar novos debates sobre segurança, proporcionalidade e respeito aos direitos humanos dos imigrantes.





