Brazilian Times

O primeiro semanário brasileiro nos EUA

Eua enfrentam desafio para atrair turistas em ano de copa do mundo

Os Estados Unidos se preparam para receber uma das maiores movimentações de visitantes dos últimos anos, mas chegam a esse momento enfrentando um problema inesperado: parte do público internacional está demonstrando…

Publicado em 08/30/26
Compartilhar:f𝕏W
Eua enfrentam desafio para atrair turistas em ano de copa do mundo

Os Estados Unidos se preparam para receber uma das maiores movimentações de visitantes dos últimos anos, mas chegam a esse momento enfrentando um problema inesperado: parte do público internacional está demonstrando menos interesse em viajar ao país.

O fenômeno acontece justamente em 2026, quando o território americano divide com México e Canadá a realização da Copa do Mundo e celebra duas datas de grande apelo turístico: os 250 anos da independência e os 100 anos da Rota 66.

Dados referentes a 2025 já indicavam uma mudança de comportamento. Enquanto as viagens internacionais avançaram aproximadamente 4% globalmente, os Estados Unidos registraram queda de 5,4% na chegada de turistas estrangeiros. Entre os canadenses, a redução chegou a 22% em comparação com o ano anterior.

Não existe apenas uma explicação para essa retração. Questões políticas, dúvidas sobre procedimentos migratórios e recentes dificuldades enfrentadas nos aeroportos aparecem entre os motivos mencionados por viajantes.

Problemas nos aeroportos ganharam repercussão

Filas extensas registradas recentemente em terminais americanos tiveram grande repercussão e ajudaram a aumentar a preocupação de quem planeja visitar o país.

Em alguns casos, passageiros aguardaram até quatro horas para passar pelos procedimentos aeroportuários. A situação ocorreu em meio à paralisação parcial do governo federal, que afetou diretamente o funcionamento da Administração de Segurança do Transporte, a TSA.

Funcionários da agência passaram semanas trabalhando sem receber normalmente. A crise provocou afastamentos e também a saída definitiva de centenas de trabalhadores.

O pagamento foi posteriormente restabelecido por uma ordem presidencial, mas recompor as equipes poderá levar meses. A própria TSA estima que a formação de novos profissionais exige entre quatro e seis meses.

Com a Copa do Mundo movimentando aeroportos americanos entre junho e julho, o prazo preocupa o setor turístico.

Fiscalização migratória entrou no radar dos passageiros

A presença de integrantes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, o ICE, nos aeroportos também passou a ser observada com maior atenção.

Os agentes foram enviados inicialmente como apoio durante a redução do quadro de funcionários da TSA. O governo, entretanto, indicou que eles poderão permanecer nos terminais enquanto houver necessidade.

Para alguns passageiros, essa presença representa apenas mais uma etapa de fiscalização. Para outros, principalmente viajantes internacionais, o cenário trouxe insegurança sobre os procedimentos adotados na chegada ao país.

A cidadã americana naturalizada Sandra Awodele, que nasceu na Nigéria, relatou que passou a considerar a presença de agentes migratórios ao organizar determinados deslocamentos. Ela afirma que nunca teve problemas pessoais durante suas viagens, mas atualmente procura estar mais atenta.

Discussões sobre novas exigências aumentaram as dúvidas

Outra questão que ganhou repercussão internacional envolve uma proposta apresentada pelo governo Trump no final de 2025.

O plano prevê que cidadãos de 42 países beneficiados pelo programa de entrada sem visto apresentem informações relacionadas ao histórico de suas redes sociais dos últimos cinco anos.

A proposta não entrou em vigor, mas a divulgação da possibilidade de mudança provocou confusão entre parte do público estrangeiro, com alguns viajantes acreditando que a exigência já estaria sendo aplicada.

Especialistas em imigração orientam que turistas consultem as regras oficiais antes do embarque e mantenham documentos capazes de demonstrar claramente o motivo da viagem, hospedagem e período previsto de permanência.

Decisão de viajar também passa pelo cenário político

Além das questões práticas, há estrangeiros que estão reduzindo viagens por causa da maneira como enxergam atualmente os Estados Unidos.

O empresário holandês Johan Konst, por exemplo, costumava viajar ao país três ou quatro vezes por ano para compromissos profissionais. Ele continua visitando os EUA, mas passou a selecionar melhor quais viagens considera indispensáveis.

Konst afirma ter percebido também uma mudança nos próprios aviões. Em alguns dos seus últimos trajetos saindo de Amsterdã, encontrou mais assentos vazios do que estava acostumado.

Situação semelhante é relatada pela executiva Anita Shreider, que vive na Alemanha. Ela mantém planos de visitar Chicago e outros destinos americanos, mas afirma conhecer pessoas que desistiram das férias nos Estados Unidos neste ano.

Segundo ela, algumas dessas decisões não estão ligadas diretamente a uma determinada regra de imigração. O motivo seria uma combinação de questões políticas e desconforto com o atual cenário internacional.

Turismo americano aposta nos grandes eventos de 2026

Representantes da indústria turística tentam agora evitar que essa percepção prejudique uma temporada considerada estratégica.

Empresas que trabalham diretamente com visitantes estrangeiros dizem que muitos turistas chegam aos Estados Unidos esperando procedimentos extremamente complicados e encontram uma realidade mais simples.

A principal recomendação continua sendo viajar com documentação organizada, verificar antecipadamente as exigências de entrada e reservar tempo adicional para os procedimentos nos aeroportos.

Ao mesmo tempo, terminais americanos vêm adotando sistemas para acelerar etapas de imigração, alfândega e segurança.

Os próximos meses serão decisivos para mostrar se a tendência de queda continuará ou se a Copa do Mundo e as grandes comemorações de 2026 conseguirão recolocar os Estados Unidos entre as principais escolhas dos turistas internacionais.

Fonte: Da redação

Compartilhar matéria:

Veja também