Da redação
Uma declaração atribuída a Hung Cao, ex-refugiado vietnamita que construiu carreira militar nos Estados Unidos e chegou ao alto escalão do governo do presidente Donald Trump, voltou a chamar a atenção nas redes sociais. Na mensagem, Cao afirma que os estrangeiros não devem buscar o chamado sonho americano se não estiverem dispostos a respeitar as leis e a cultura do país.
“Não venha para este país pedir o sonho americano se você não está disposto a obedecer às leis americanas e abraçar a cultura americana”, diz a declaração em inglês, reproduzida em uma imagem que circula na internet. A mensagem reflete uma posição de Cao sobre imigração, identidade nacional e a responsabilidade dos estrangeiros que escolhem os Estados Unidos para construir uma nova vida.
O aspecto que mais chama a atenção é a própria trajetória de Hung Cao. Nascido no Vietnã, ele deixou seu país ainda criança, em meio às consequências da Guerra do Vietnã, e chegou aos Estados Unidos com a família na condição de refugiado. Décadas depois, tornou-se oficial da Marinha americana, instituição na qual desenvolveu uma carreira de aproximadamente 25 anos.
Sua história pessoal foi frequentemente utilizada em discursos públicos como exemplo das oportunidades oferecidas pelos Estados Unidos. Cao costuma destacar a importância da liberdade, da disciplina, do patriotismo e do respeito às instituições americanas, valores que considera fundamentais para quem deseja viver no país.
Após encerrar sua carreira militar, Hung Cao ingressou na política pelo Partido Republicano. Em 2024, disputou uma vaga no Senado dos Estados Unidos pelo estado da Virgínia, enfrentando o democrata Tim Kaine. Embora tenha sido derrotado, ganhou projeção nacional entre setores conservadores e apoiadores de Donald Trump.
Posteriormente, Cao passou a integrar o governo republicano. Em outubro de 2025, assumiu o cargo de subsecretário da Marinha dos Estados Unidos, uma das posições mais importantes da estrutura administrativa da força naval americana.
A declaração sobre o sonho americano também ganha relevância em um momento de intensificação do debate migratório nos Estados Unidos. O governo Trump tem defendido medidas mais rigorosas de fiscalização, detenções e deportações, enquanto organizações de defesa dos imigrantes questionam os efeitos dessas políticas sobre famílias estrangeiras, trabalhadores e pessoas que vivem há muitos anos no território americano.
Para defensores de uma política migratória mais restritiva, a mensagem de Cao reforça a ideia de que a permanência nos Estados Unidos deve estar acompanhada do cumprimento das leis e da integração à sociedade. Já críticos desse discurso observam que respeitar a legislação e preservar tradições culturais de origem não são atitudes incompatíveis, uma vez que a sociedade americana foi construída também pela contribuição de diferentes comunidades de imigrantes.
Outro ponto importante é que a declaração não estabelece qualquer mudança nas regras migratórias. Trata-se de um posicionamento político, e não de uma determinação oficial do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) ou de uma nova exigência legal para estrangeiros.
A trajetória de Hung Cao evidencia uma das contradições frequentemente debatidas na política migratória americana: enquanto milhões de estrangeiros continuam buscando oportunidades nos Estados Unidos, alguns imigrantes que alcançaram posições de destaque no país passaram a defender políticas mais rigorosas para aqueles que desejam seguir o mesmo caminho.
No caso de Cao, a experiência de ter chegado como refugiado não o levou a defender uma política de imigração mais flexível. Pelo contrário, ele utiliza sua própria história para sustentar que o sonho americano deve estar associado ao respeito às leis, à responsabilidade individual e à identificação com os valores nacionais.
A mensagem central de Hung Cao é clara: para ele, buscar oportunidades nos Estados Unidos também significa aceitar as obrigações de viver no país. O debate, entretanto, permanece aberto sobre o que significa integrar-se à cultura americana e até que ponto essa exigência deve influenciar as políticas de imigração.





