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Governo Trump pede à Suprema Corte que limite poder de juízes para libertar imigrantes detidos pelo ICE

Recurso envolve pesquisador da Universidade Georgetown que permaneceu 58 dias sob custódia migratória e pode afetar milhares de processos de habeas corpus nos Estados Unidos.

Publicado em 09/27/26
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Governo Trump pede à Suprema Corte que limite poder de juízes para libertar imigrantes detidos pelo ICE

Da Redação

A administração do presidente Donald Trump recorreu à Suprema Corte dos Estados Unidos para tentar limitar a autoridade de juízes federais na análise de pedidos de habeas corpus apresentados por imigrantes detidos pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). O governo busca restringir a possibilidade de magistrados determinarem a libertação de estrangeiros enquanto seus processos migratórios continuam em andamento.

A disputa judicial tem origem no caso de Badar Khan Suri, pesquisador da Universidade Georgetown, em Washington, que estava nos Estados Unidos com um visto J-1. Ele foi detido pelas autoridades migratórias e permaneceu 58 dias sob custódia até que um juiz federal determinou sua libertação.

O caso ganhou relevância nacional por envolver os limites da atuação do Poder Judiciário diante das decisões administrativas relacionadas à detenção de estrangeiros.

No recurso apresentado em 21 de setembro, o Departamento de Justiça argumenta que questionamentos relacionados à detenção e à deportação devem seguir os procedimentos previstos na legislação migratória americana, em vez de serem examinados separadamente por tribunais federais de primeira instância.

Segundo a administração, permitir que imigrantes utilizem pedidos de habeas corpus para contestar medidas relacionadas à deportação pode comprometer a execução das políticas migratórias e provocar um aumento significativo de processos judiciais.

O governo sustenta que a decisão envolvendo Suri pode afetar milhares de casos semelhantes em todo o país.

 

Pesquisador ficou quase dois meses detido

De nacionalidade indiana, Badar Khan Suri desenvolvia pesquisas de pós-doutorado na Universidade Georgetown quando foi preso por agentes de imigração, em março de 2025.

A detenção ocorreu em meio às ações do governo contra estrangeiros envolvidos em manifestações e atividades de apoio à causa palestina em universidades americanas.

A defesa argumentou que sua prisão representava uma retaliação por manifestações protegidas pela Constituição, incluindo os direitos à liberdade de expressão e ao devido processo legal.

Em maio de 2025, após 58 dias de detenção, a Justiça federal determinou sua libertação. Posteriormente, em julho de 2026, o Tribunal Federal de Apelações do Quarto Circuito manteve a decisão, reconhecendo a competência dos tribunais federais para examinar alegações de detenção inconstitucional, mesmo quando existe um processo de deportação em andamento.

 

Decisão poderá afetar milhares de imigrantes

O habeas corpus é um instrumento jurídico que permite questionar a legalidade de uma prisão ou detenção perante a Justiça.

A controvérsia envolve justamente a possibilidade de imigrantes recorrerem diretamente aos tribunais federais quando alegam que sua permanência sob custódia viola direitos constitucionais.

Para o governo, essas contestações devem ser conduzidas pelos mecanismos específicos do sistema migratório. Já a defesa de Suri sustenta que obrigar uma pessoa a aguardar o encerramento de um processo de deportação pode tornar ineficaz a proteção contra uma detenção considerada ilegal.

O caso também evidencia divergências entre tribunais federais de apelação sobre a interpretação da legislação migratória e o alcance da revisão judicial.

Agora, caberá à Suprema Corte decidir se aceita examinar o recurso apresentado pela administração Trump.

Uma eventual decisão poderá estabelecer parâmetros nacionais sobre a competência dos juízes federais para analisar pedidos de habeas corpus de imigrantes detidos pelo ICE, com possíveis consequências para milhares de estrangeiros que contestam judicialmente sua permanência sob custódia migratória.

Fonte: Brazilian Times

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