Da Redação
Uma organização de defesa dos direitos dos imigrantes anunciou um investimento de até US$ 9,9 milhões em uma ampla campanha para mobilizar eleitores latinos e independentes no Arizona antes das eleições gerais de novembro. A iniciativa pretende alcançar pelo menos 400 mil eleitores nas próximas semanas, em um estado onde disputas recentes foram decididas por margens estreitas.
A campanha é organizada pela Living United for Change in Arizona (LUCHA), grupo progressista que participa de mobilizações eleitorais e frequentemente apoia candidatos democratas. A estratégia inclui visitas de porta em porta, telefonemas, correspondências e ações digitais voltadas principalmente aos eleitores latinos e àqueles que não estão registrados em nenhum dos dois principais partidos americanos.
Segundo César Fierros, porta-voz da organização, os recursos destinados à campanha são provenientes de diferentes fontes, incluindo contribuições de integrantes, doadores individuais, apoio filantrópico e o comitê de ação política ligado ao grupo.
A mobilização ocorre em um momento importante para a política do Arizona. Além dos cargos estaduais em disputa, eleições para a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos e para o Legislativo estadual também estarão nas urnas. A eleição geral está marcada para 3 de novembro de 2026. O prazo para registro de eleitores termina em 5 de outubro, enquanto a votação antecipada começa em 7 de outubro, segundo a Secretaria de Estado do Arizona.
A LUCHA já realizou operações de grande porte em eleições anteriores. De acordo com a organização, mais de meio milhão de eleitores foram contatados tanto no ciclo eleitoral de 2022 quanto no de 2024. Somente em 2024, ativistas bateram em mais de 630 mil portas. Para 2026, a meta inicial é estabelecer contato com pelo menos 400 mil pessoas.
Os eleitores sem filiação partidária representam uma parcela expressiva do eleitorado estadual. Dados oficiais de julho mostram que o Arizona possuía 4,3 milhões de eleitores registrados. Desse total, 35,39% eram republicanos, 28,11% democratas e 34,60% estavam classificados como “outros”, categoria que inclui eleitores sem vínculo com os principais partidos.
A organização também pretende concentrar esforços junto à população latina. Segundo dados citados pela LUCHA, aproximadamente 1,3 milhão de eleitores do Arizona, cerca de 25% do eleitorado, são latinos. Para Stephanie Maldonado, diretora política do grupo, esse segmento pode exercer papel relevante nas disputas estaduais.
As eleições anteriores ajudam a explicar a atenção destinada a esses grupos. Em 2022, a democrata Katie Hobbs venceu a disputa para governadora contra a republicana Kari Lake por pouco mais de um ponto percentual. Na eleição para procurador-geral, a democrata Kris Mayes venceu por apenas 280 votos.
Imigração entra no centro da disputa
A política migratória também deverá ocupar espaço importante na campanha. A direção da LUCHA afirma que uma das razões para intensificar a mobilização dos latinos é a política de deportações do governo do presidente Donald Trump. Como estado fronteiriço com o México, o Arizona ocupa posição central no debate sobre imigração e sobre o grau de cooperação das autoridades estaduais com as ações federais de fiscalização migratória.
As diferenças entre os candidatos são claras nessa área. A governadora democrata Katie Hobbs tem evitado envolver diretamente o governo estadual na aplicação das leis federais de imigração, enquanto seu adversário republicano, Andy Biggs, apoia a política de deportações do governo Trump. Na disputa para procurador-geral, o republicano Warren Petersen também declarou apoio à cooperação com agentes federais em operações de deportação, inclusive envolvendo determinados beneficiários do programa DACA.
Além da imigração, a LUCHA defende propostas estaduais relacionadas aos trabalhadores e inquilinos, entre elas licença familiar e médica remunerada e medidas destinadas à ampliação da oferta de moradias acessíveis.
Para Maldonado, o resultado das urnas terá consequências que irão além de 2026. Segundo a dirigente, as escolhas feitas pelos eleitores neste ano poderão influenciar os rumos políticos e administrativos do Arizona pelos próximos dois a quatro anos.





