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Grupos de defesa dos imigrantes denunciam intimidação do ICE e se mobilizam para proteger eleitores nos Estados Unidos

Organizações da Califórnia alertam que o aumento das operações migratórias pode afastar cidadãos naturalizados das urnas nas eleições de 3 de novembro. Voluntários foram treinados para monitorar locais de votação e denunciar possíveis abusos.

Publicado em 11/02/26
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Grupos de defesa dos imigrantes denunciam intimidação do ICE e se mobilizam para proteger eleitores nos Estados Unidos

Da redação

Organizações de defesa dos direitos dos imigrantes intensificaram suas atividades na Califórnia às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para terça-feira, 3 de novembro. A mobilização ocorre em meio ao aumento das operações de fiscalização migratória realizadas pelo governo do presidente Donald Trump e ao receio de que a presença de agentes federais provoque medo entre eleitores de comunidades imigrantes.

Representantes dessas organizações acusam o governo federal de utilizar ações de fiscalização migratória como forma de intimidação política. Segundo os ativistas, o clima de insegurança pode desencorajar cidadãos americanos naturalizados e outros eleitores habilitados a comparecer aos locais de votação. A administração Trump, por sua vez, sustenta que suas iniciativas buscam combater irregularidades migratórias e eleitorais.

Uma das principais entidades envolvidas na mobilização é a Coalition for Humane Immigrant Rights (CHIRLA), organização que atua na defesa dos direitos dos imigrantes na Califórnia. Durante uma coletiva de imprensa realizada em Los Angeles, Jeannette Zanipatin, diretora de políticas públicas e defesa de direitos da entidade, afirmou que as comunidades não devem ceder ao medo.

"Sejamos claros: a Califórnia não será intimidada", declarou. Para Zanipatin, a intensificação das operações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) tem como objetivo silenciar comunidades imigrantes, reduzir a participação cívica e provocar divisões entre os moradores.

Prisões e operações aumentam preocupação

A mobilização acontece após uma série de operações federais realizadas em diferentes regiões da Califórnia nas últimas semanas.

No início de outubro, mais de 100 imigrantes foram detidos na região de Fresno, no Vale Central, área conhecida pela forte presença de trabalhadores agrícolas. Segundo relatos de autoridades locais, parte das abordagens ocorreu quando os imigrantes estavam a caminho do trabalho ou realizavam atividades cotidianas.

Em 19 de outubro, uma operação federal resultou na prisão de 11 imigrantes em uma investigação envolvendo suspeitas de irregularidades eleitorais. Ao todo, 28 estrangeiros foram acusados no caso, incluindo pessoas suspeitas de registro fraudulento para votar.

Entre os detidos estava um homem de 72 anos, natural de Belize, retirado de sua residência na cidade de Commerce, na região de Los Angeles, ainda de pijama, segundo os relatos divulgados.

Outro episódio ocorreu em 20 de outubro, em Woodland, nas proximidades de Sacramento. Um homem afirmou ter sido atingido por um veículo do ICE enquanto tentava filmar uma operação migratória. O Departamento de Segurança Interna (DHS) contestou a versão e declarou que ele teria saltado sobre o capô do veículo. A polícia de Woodland, entretanto, informou que imagens analisadas contrariavam a explicação apresentada pelas autoridades federais.

Também foram relatadas operações em bairros com grande concentração de imigrantes na região metropolitana de Los Angeles, especialmente no Vale de San Fernando. Na área da Baía de São Francisco, advogados de imigração denunciaram aumento de detenções violentas e abordagens que, segundo eles, ocorreram sem mandados válidos.

As organizações de direitos civis consideram que esses episódios contribuem para um ambiente de insegurança, embora não exista, até o momento, uma comprovação definitiva de que as operações tenham provocado redução no comparecimento eleitoral.

Voluntários vão monitorar locais de votação

Para enfrentar o problema, diferentes entidades formaram uma coalizão chamada Can't Stop California, responsável por organizar ações de orientação e monitoramento durante o período eleitoral.

A iniciativa treinou voluntários para acompanhar a movimentação nos locais de votação, identificar possíveis tentativas de intimidação e documentar situações que possam interferir no exercício do direito ao voto.

As organizações também estão incentivando os eleitores habilitados a votar antecipadamente, utilizando as opções disponíveis na Califórnia, como votação pelo correio, caixas oficiais de depósito de cédulas e centros de votação antecipada.

Outra recomendação é que moradores que presenciarem operações migratórias registrem as ações, quando isso puder ser feito com segurança, e compartilhem as informações com redes comunitárias de apoio, como a LA Rapid Response Network.

Martha Arévalo, diretora-executiva do Central American Resource Center (CARECEN), em Los Angeles, afirmou que os agentes federais precisam respeitar os limites estabelecidos pela legislação.

"Os agentes federais de imigração não estão acima da lei", declarou.

Segundo Arévalo, o medo e o isolamento podem afastar moradores da participação política. Ela pediu que os eleitores não permitam que possíveis intimidações impeçam o exercício de seus direitos.

Justiça rejeita tentativa de bloquear 20 mil votos

A disputa sobre a participação eleitoral também chegou aos tribunais federais.

Na última semana de outubro, advogados do governo Trump solicitaram à Justiça que impedisse a contagem de aproximadamente 20 mil votos na Califórnia, alegando dúvidas sobre a elegibilidade dos eleitores.

O pedido foi rejeitado pelo juiz federal David O. Carter, que criticou a tentativa de interferência nos procedimentos eleitorais estaduais.

Na decisão, o magistrado considerou que a administração federal buscava pressionar autoridades estaduais e locais a abandonar seus próprios procedimentos constitucionais de organização das eleições para atender à vontade do Poder Executivo.

O episódio ampliou o debate sobre os limites da atuação federal no processo eleitoral e sobre as alegações de votação irregular por pessoas sem cidadania americana.

Embora o governo Trump tenha apresentado denúncias de irregularidades, estudos e levantamentos eleitorais apontam que a participação ilegal de não cidadãos nas eleições americanas é extremamente rara.

Quem pode votar nos Estados Unidos?

As organizações de defesa dos imigrantes ressaltam que o direito de participar das eleições federais é reservado aos cidadãos americanos que atendem aos requisitos legais, incluindo aqueles que obtiveram a cidadania por naturalização.

Imigrantes que possuem apenas residência permanente, como os portadores de Green Card, não estão autorizados a votar nas eleições federais. Pessoas em situação migratória irregular também não possuem esse direito.

Entretanto, independentemente da situação migratória, os moradores dos Estados Unidos possuem direitos constitucionais e garantias legais que devem ser respeitados durante abordagens das autoridades.

A preocupação das entidades é que cidadãos naturalizados, especialmente aqueles que vivem em famílias com integrantes sem documentação migratória regular, deixem de votar por receio de encontrar agentes federais ou expor parentes a possíveis operações.

Situações semelhantes foram observadas durante operações migratórias realizadas em 2025, quando profissionais de saúde relataram que famílias imigrantes passaram a evitar consultas médicas por medo de detenções. Também foram registrados impactos na frequência escolar em comunidades afetadas pelas ações.

Com a aproximação da votação de terça-feira, as organizações afirmam que continuarão visitando bairros, distribuindo orientações e acompanhando possíveis denúncias de intimidação.

Para os grupos envolvidos, a prioridade é garantir que todos os cidadãos legalmente habilitados possam exercer o direito ao voto sem medo, independentemente de sua origem ou da situação migratória de seus familiares.

Fonte: Brazilian Times

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