Líderes religiosos e ativistas realizaram uma vigília na quinta-feira em frente a uma nova instalação preparada pelas autoridades federais de imigração na Louisiana para receber famílias imigrantes e crianças desacompanhadas que aguardam deportação dos Estados Unidos.
A unidade, com capacidade para 528 pessoas, está localizada no England Airpark, ao lado do Aeroporto Internacional de Alexandria, e deve começar a funcionar em breve. Segundo informações divulgadas sobre o projeto, será a segunda instalação destinada a crianças e famílias durante o governo do presidente Donald Trump.
Cerca de 40 pessoas participaram da manifestação, que reuniu representantes religiosos da Louisiana e de outros estados. Os participantes marcharam e fizeram orações diante das cercas que isolam os alojamentos e trailers preparados para receber os imigrantes.
Durante a vigília, a reverenda Robin Tanner, presidente da Unitarian Universalist Ministers Association, chamou atenção para os efeitos que a detenção pode provocar na vida das crianças.
“Lamentamos os momentos da infância que a detenção interromperá”, afirmou Tanner, mencionando situações como dormir em casa, frequentar a escola, brincar livremente, comemorar aniversários e fazer refeições com a família.
O Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE) afirma que o local não será um centro de detenção convencional, mas uma instalação temporária. Segundo a agência, famílias permanecerão no complexo enquanto aguardam voos de deportação ou transferência para outros centros.
Ativistas, no entanto, consideram a abertura da unidade mais um avanço da estrutura utilizada pela administração Trump para acelerar as deportações.
Setareh Ghandehari, diretora de advocacy da Detention Watch Network, afirmou que a instalação seria a primeira e única estrutura do ICE especificamente dedicada à detenção e deportação de menores desacompanhados.
Normalmente, crianças que chegam aos Estados Unidos sem os pais ou responsáveis ficam sob os cuidados do Office of Refugee Resettlement (ORR), órgão ligado ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos. O próprio ICE informa que mantém menores desacompanhados sob sua custódia apenas em circunstâncias consideradas excepcionais. O ORR, porém, não participa da operação da nova instalação de Alexandria.
Questionado sobre quando a unidade começará a funcionar e sobre as preocupações relacionadas aos impactos da detenção sobre crianças, o ICE não forneceu uma data específica e reiterou que se trata de uma instalação temporária.
A localização do complexo também chama atenção. O Aeroporto Internacional de Alexandria se tornou um importante ponto da estrutura federal de deportações. Dados do ICE Flight Monitor indicam que aproximadamente 340 voos relacionados a transferências domésticas e deportações passaram por Alexandria somente em agosto.
A implantação da unidade começou a avançar em fevereiro, quando o conselho responsável pelo England Airpark, antiga base da Força Aérea dos Estados Unidos, autorizou a assinatura de contratos com o governo federal para a construção do complexo.
Também foi firmado um acordo com a LaSalle Family Foundation para administrar a instalação. A fundação é ligada à LaSalle Corrections, empresa privada que opera cinco centros de detenção de imigrantes na Louisiana.
Desde que o projeto se tornou público, moradores e organizações locais vêm manifestando preocupação não apenas com a detenção de crianças, mas também com relatos de possível contaminação ambiental na área.
Ralph Hennessy, diretor executivo do England Airpark, já afirmou anteriormente que a estrutura não funcionará como uma prisão tradicional. Segundo ele, os espaços foram organizados de maneira semelhante a dormitórios, com camas, geladeiras e micro-ondas. Hennessy também disse que o contrato está concluído e que a instalação abrirá em breve, mas não informou uma data.
A pastora Leigh Rachal, diretora executiva da Louisiana Interchurch Conference, tem mobilizado líderes religiosos contra a expansão da estrutura de detenção e deportação no estado. Ela afirmou que fez um chamado nacional para que representantes de diferentes comunidades religiosas participassem da vigília.
Entre os participantes também estava a reverenda Liz Theoharis, diretora executiva do Kairos Center for Religions, Rights, and Social Justice, de Nova York. Durante o ato, ela conduziu uma oração dedicada às famílias imigrantes afetadas pela detenção e pela separação familiar.
Para os grupos contrários ao projeto, a preocupação agora é com a chegada das primeiras famílias e crianças ao complexo. Para o governo federal, a instalação faz parte da infraestrutura necessária para agilizar transferências e deportações em um dos principais centros de voos migratórios dos Estados Unidos.





