Um imigrante filipino de 76 anos, diagnosticado com câncer de próstata em estágio 4, está há mais de dois meses sob custódia do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE), no estado de Washington. Familiares e organizações comunitárias pedem sua libertação e afirmam que a detenção está prejudicando seu tratamento médico.
Loreto Javar, morador de Fife, vive nos Estados Unidos desde 1995 e possui residência permanente legal, o chamado green card. Ele foi detido em 23 de junho, quando compareceu a uma entrevista relacionada ao seu pedido de cidadania americana, em Tukwila. Desde então, está no Northwest ICE Processing Center, em Tacoma.
Além do câncer avançado, sua filha, Daisy Javar, afirma que o pai enfrenta outros problemas de saúde, incluindo doença pulmonar obstrutiva crônica. Grupos que acompanham o caso também relatam diabetes e hipertensão.
A principal preocupação da família é o impacto da detenção sobre o tratamento contra o câncer.
Segundo Daisy, seu pai já perdeu duas sessões ou consultas relacionadas ao tratamento desde que foi preso e corre o risco de perder outra devido ao prolongamento de seu processo migratório. Após uma audiência realizada em 31 de agosto, o caso recebeu uma extensão até 20 de setembro.
A família também reclama da irregularidade nos horários das refeições dentro da unidade, situação que, segundo ela, dificulta a rotina de medicamentos de Loreto. Daisy reconheceu, entretanto, que os remédios estariam sendo administrados nos horários previstos.
A detenção durante uma entrevista de cidadania também surpreendeu os familiares. Loreto é um trabalhador aposentado, casado e pai de dois filhos. Segundo sua família, ele não possui antecedentes criminais nos Estados Unidos.
ICE aponta condenação antiga nas Filipinas
O ICE, por outro lado, afirma que existe uma questão criminal antiga que poderia afetar o direito de Loreto permanecer no país.
Segundo o porta-voz da agência Jason Chudy, Loreto não informou uma condenação criminal nas Filipinas quando solicitou o visto que lhe permitiu mudar para os Estados Unidos em 1995. Caso essa informação tivesse sido revelada, segundo o ICE, ele poderia ter sido considerado inadmissível naquela época.
Documentos relacionados ao processo apontam para um episódio ocorrido nas Filipinas na década de 1970. Loreto teria se envolvido em uma ocorrência que terminou com a morte de um homem e cumprido aproximadamente três anos de prisão antes de ser colocado em liberdade.
A família afirma que acreditava que a situação estava resolvida, inclusive porque Loreto teria conseguido documentação das autoridades filipinas antes de emigrar. Seus familiares e advogados agora tentam localizar registros de um processo ocorrido há aproximadamente meio século para compreender exatamente sua situação jurídica.
Mais de 30 anos nos Estados Unidos
Loreto vive nos Estados Unidos há mais de três décadas. Durante esse período, trabalhou no setor hoteleiro, constituiu família e renovou seu green card diversas vezes, segundo seus familiares. A renovação mais recente teria ocorrido em dezembro.
Ele decidiu solicitar a cidadania americana após se aposentar, entre outros motivos, porque desejava viajar com maior facilidade para visitar as Filipinas. Foi justamente durante uma entrevista relacionada a esse processo que acabou detido pelo ICE.
Organizações que defendem sua libertação também estão pressionando representantes do governo filipino para que intervenham no caso e prestem assistência consular.
Enquanto a disputa migratória prossegue, Loreto continua sob custódia em Tacoma. Para a família, porém, a preocupação mais urgente não é apenas o resultado do processo de imigração, mas o avanço de uma doença grave enquanto o idoso permanece detido e perde etapas importantes de seu tratamento contra o câncer.





