Um imigrante mexicano que possuía residência permanente legal nos Estados Unidos foi encontrado morto no sábado, em sua cama, dentro de um centro privado de detenção de imigrantes em Laredo, no Texas. A vítima foi identificada como Emiliano Andrade-Covarrubias, de 56 anos, que estava sob custódia das autoridades migratórias desde junho.
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) confirmou que Andrade-Covarrubias possuía um green card, documento que garante residência permanente no país. Entretanto, segundo a agência, havia suspeitas de que ele teria obtido o benefício de maneira fraudulenta, ao supostamente omitir uma prisão por furto ocorrida em 2004.
A versão apresentada pelo governo é contestada pela família. Em entrevista ao jornal Texas Tribune, a filha afirmou que as autoridades americanas já tinham conhecimento daquela prisão quando concederam a residência permanente ao pai.
Andrade-Covarrubias vivia havia décadas na região de Dallas, no Texas, onde trabalhava como pintor de casas.
Apesar de o DHS ter utilizado a expressão "criminoso estrangeiro" para descrevê-lo, a agência não apresentou evidências de condenações criminais contra ele.
O imigrante estava detido no Rio Grande Processing Center, unidade administrada por uma empresa privada. Segundo as informações divulgadas, funcionários encontraram Andrade-Covarrubias inconsciente e sem responder aos chamados.
A causa oficial da morte ainda não foi determinada.
Familiares afirmam que ele sofria de problemas de saúde preexistentes, incluindo hipertensão e diabetes, e denunciam que não teria recebido o atendimento médico necessário durante o período de detenção.
O DHS, por sua vez, sustenta que o imigrante recebeu assistência médica adequada enquanto permaneceu sob custódia.
As circunstâncias da morte levantaram questionamentos sobre o acesso a medicamentos e o acompanhamento de pessoas com doenças crônicas nos centros de detenção migratória.
Deputado cobra explicações do ICE
O deputado democrata Henry Cuellar, representante do Texas no Congresso americano, exigiu respostas rápidas do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE).
Em declarações à Scripps News, o parlamentar questionou se Andrade-Covarrubias havia solicitado ajuda médica ou medicamentos antes de morrer.
A cobrança ocorre em meio ao aumento das preocupações sobre as condições de detenção de imigrantes nos Estados Unidos.
Segundo levantamento da organização Relevant Research, Andrade-Covarrubias é o 60º detento a morrer sob custódia do ICE desde o início do segundo mandato do presidente Donald Trump. Desse total, 18 eram pessoas nascidas no México.
Governo mexicano exige investigação
A morte também provocou reação do governo do México, que solicitou uma investigação completa para esclarecer as circunstâncias do caso.
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, anunciou na segunda-feira que seu governo apresentará uma queixa nos Estados Unidos, cobrando respeito aos direitos humanos dos cidadãos mexicanos detidos pelas autoridades americanas.
A GEO Group, empresa proprietária da unidade e contratada pelo governo federal para abrigar imigrantes, encaminhou ao ICE os questionamentos sobre o episódio.
Centro de detenção já havia recebido advertências
O Rio Grande Processing Center já havia sido alvo de observações relacionadas aos procedimentos de atendimento médico.
Uma inspeção realizada em janeiro de 2025 pelo Escritório de Supervisão de Detenção do ICE identificou que a unidade nem sempre realizava avaliações de saúde dos recém-detidos dentro do prazo de duas semanas estabelecido pelos padrões nacionais de detenção.
Apesar dessa deficiência, a instalação recebeu classificação geral considerada "boa" pelos inspetores.
Em outros episódios envolvendo mortes sob custódia migratória, afirmações iniciais do DHS sobre a prestação de atendimento médico adequado foram posteriormente contrariadas por análises detalhadas produzidas pelo próprio ICE.
A morte de Emiliano Andrade-Covarrubias amplia os questionamentos sobre as condições de atendimento médico nos centros de detenção dos Estados Unidos, especialmente para imigrantes que dependem de medicamentos e acompanhamento contínuo.
Enquanto a família aguarda respostas, permanece sem esclarecimento se a assistência prestada ao residente permanente foi suficiente e se eventuais falhas contribuíram para sua morte.





