Da Redação
Um venezuelano de 35 anos voltou para casa, na Pensilvânia, depois de permanecer mais de dois meses sob custódia do Departamento de Imigração dos Estados Unidos (ICE). A libertação de Nelson Contreras-Gelves ocorreu de forma inesperada em 10 de setembro, após uma mobilização da comunidade em defesa dele.
Morador do Condado de Chester, Contreras-Gelves havia sido detido pelo ICE em 27 de junho, na Filadélfia, aproximadamente uma semana depois de celebrar a recepção de seu casamento com Ariel Whaley.
A esposa contou que não esperava que ele fosse colocado em liberdade naquele momento. Mesmo semanas depois do retorno do marido, disse ainda ter dificuldade para acreditar que os dois estão novamente juntos.
Contreras-Gelves afirma que entrou nos Estados Unidos pela fronteira sul em 2022, depois de fugir de perseguição política na Venezuela. Segundo ele, um dos momentos mais difíceis da detenção foi permanecer afastado da esposa.
Ao descrever o período sob custódia, o venezuelano afirmou que enfrentou forte angústia e chorava diariamente.
Durante os mais de dois meses em que permaneceu detido, moradores e integrantes da comunidade se mobilizaram em favor de sua libertação. Cartas foram enviadas a representantes políticos e milhares de dólares foram arrecadados para ajudar a família.
Agora em liberdade, Contreras-Gelves tenta reconstruir a rotina, mas precisa cumprir uma série de condições impostas pelas autoridades migratórias.
Ele é obrigado a utilizar tornozeleira com monitoramento por GPS e não pode deixar os estados da Pensilvânia, Nova Jersey e Delaware. A restrição territorial também afetou sua situação profissional.
Antes da detenção, o venezuelano trabalhava em um centro de distribuição da BJ's localizado em Maryland. Segundo a esposa, a empresa informou que, para retornar ao emprego, ele precisaria morar naquele estado, algo atualmente incompatível com as condições de sua libertação.
Contreras-Gelves também ainda não conseguiu retornar ao trabalho que mantinha na organização sem fins lucrativos Mighty Writers, porque o escritório e o banco de alimentos da entidade estão temporariamente fechados.
Além do monitoramento eletrônico, ele precisa manter contato regular com uma empresa contratada pelo ICE, incluindo visitas à residência do casal em Kennett Square.
Enquanto tenta retomar a vida, o casal trabalha para conseguir a residência permanente, o chamado Green Card, para Contreras-Gelves. Apesar da libertação, o processo migratório continua e a possibilidade de deportação ainda preocupa a família.
Whaley afirmou que os meses de separação deixaram consequências emocionais para os dois e que ainda existe ansiedade em relação ao futuro.
Apesar das incertezas, o casal afirma que pretende seguir em frente. Para Whaley, a experiência vivida pelo marido também reforçou a necessidade de mudanças na maneira como casos migratórios são conduzidos nos Estados Unidos.
“No mínimo, definitivamente precisa haver um processo mais humano em tudo isso”, afirmou ela.





