Da Redação
A morte de Prisciliano Trejo Ricano, de 29 anos, está levantando questionamentos sobre o atendimento médico oferecido a imigrantes detidos nos Estados Unidos e sobre uma mudança na política do U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) para o registro de mortes ocorridas após a liberação da custódia.
Trejo foi colocado sob custódia do ICE em 25 de junho de 2026 e posteriormente transferido para o Stewart Detention Center, na Geórgia. De acordo com familiares, ele não apresentava problemas de saúde conhecidos antes da detenção, mas começou a adoecer pouco tempo depois. Entre os sintomas relatados estavam dor de garganta, tosse e presença de sangue na saliva.
O Departamento de Segurança Interna (DHS) afirma que Trejo recebeu atendimento médico durante o período de detenção. Segundo o governo, ele passou por avaliações e recebeu medicamentos, incluindo antibiótico, além de outros tratamentos. A família, no entanto, busca respostas sobre a evolução do quadro e se houve demora para encaminhá-lo a um hospital.
Em 14 de julho, Trejo foi levado a uma unidade de emergência, onde recebeu o diagnóstico de uma forma aguda de leucemia. Dois dias depois, enquanto permanecia internado em uma unidade de terapia intensiva em Augusta, o ICE determinou sua liberação da custódia. A medida permitiu que seus familiares pudessem acompanhá-lo no hospital.
Trejo morreu em 24 de julho, oito dias depois de deixar oficialmente a custódia migratória. A família foi informada de que a causa da morte estava relacionada à leucemia. Segundo o advogado dos familiares, médicos explicaram que a doença pode apresentar evolução rápida.
O caso chama atenção também por uma alteração adotada pelo ICE em junho de 2026. A agência modificou sua política de notificação, revisão e divulgação de mortes e retirou a exigência que abrangia pessoas que morressem até 30 dias depois de serem liberadas da custódia migratória. A regra anterior, adotada em 2021, incluía esses casos no processo de revisão.
Na prática, como Trejo foi liberado enquanto estava hospitalizado e morreu posteriormente, seu falecimento não está sujeito ao mesmo procedimento de divulgação aplicado às mortes ocorridas enquanto uma pessoa permanece oficialmente sob custódia do ICE.
A família agora tenta obter informações mais detalhadas sobre os cuidados médicos prestados durante a detenção e compreender a sequência de acontecimentos que antecedeu a hospitalização. Segundo reportagem da NBC News e da Telemundo, familiares também buscaram acesso aos registros médicos relacionados ao período em que Trejo esteve detido.
O caso coloca novamente em discussão a transparência sobre mortes relacionadas ao sistema de detenção migratória, especialmente quando um imigrante adoece enquanto está detido, é transferido para um hospital e deixa formalmente a custódia pouco antes de morrer.





