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Justiça federal derruba política de Trump e restringe prisões do ICE em tribunais de imigração nos Estados Unidos

Uma decisão da Justiça Federal dos Estados Unidos representa uma importante mudança nas operações de fiscalização migratória realizadas pelo governo do presidente Donald Trump. O juiz federal P. Kevin Castel, do…

Publicado em 10/12/26
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Justiça federal derruba política de Trump e restringe prisões do ICE em tribunais de imigração nos Estados Unidos

Uma decisão da Justiça Federal dos Estados Unidos representa uma importante mudança nas operações de fiscalização migratória realizadas pelo governo do presidente Donald Trump. O juiz federal P. Kevin Castel, do Distrito Sul de Nova York, derrubou uma política que permitia ao Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) realizar prisões de imigrantes dentro e nas proximidades dos tribunais de imigração. A medida tem alcance nacional e restabelece restrições adotadas durante a administração do ex-presidente Joe Biden.

A decisão, assinada em 30 de setembro de 2026 e divulgada em 1º de outubro, determina que os agentes federais não podem realizar detenções migratórias rotineiras nesses locais, exceto em circunstâncias específicas previstas nas normas anteriores.

A mudança ocorre após meses de denúncias envolvendo operações do ICE em tribunais de imigração, onde estrangeiros eram detidos enquanto compareciam a audiências obrigatórias para acompanhar seus processos de permanência nos Estados Unidos.

Em diversas situações, agentes federais aguardavam a saída dos imigrantes das salas de audiência para realizar as detenções. Algumas dessas operações provocaram cenas de tensão, com familiares chorando e pessoas sendo levadas sob custódia diante de outros imigrantes que aguardavam atendimento judicial.

Juiz considera política ilegal

Ao analisar o processo, o magistrado concluiu que a administração Trump havia eliminado as restrições estabelecidas em 2021 sem apresentar justificativas adequadas para a mudança.

A decisão considerou a política de 2025 arbitrária e incompatível com as exigências da Lei de Procedimento Administrativo dos Estados Unidos, que estabelece regras para a adoção e alteração de medidas por órgãos federais.

Outro ponto relevante foi o reconhecimento, pelo próprio governo, de que um memorando utilizado anteriormente para justificar as operações não autorizava as prisões nos tribunais de imigração.

A ação judicial foi apresentada em agosto de 2025 pelas organizações African Communities Together e The Door, com apoio de entidades de defesa dos direitos civis, incluindo a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) e a New York Civil Liberties Union.

Política de Biden volta a valer

Com a decisão, voltam a ser aplicadas as diretrizes estabelecidas em abril de 2021, durante o governo Biden.

Essas regras restringem as prisões migratórias em tribunais, permitindo determinadas operações em situações excepcionais, como ameaças à segurança nacional, riscos à segurança pública e outras circunstâncias previstas na política.

Isso significa que a decisão não impede completamente a atuação do ICE nesses locais, mas estabelece limites para evitar detenções indiscriminadas de pessoas que comparecem à Justiça para cumprir suas obrigações legais.

A determinação também não proíbe operações migratórias realizadas em outros ambientes, como residências, estabelecimentos comerciais e vias públicas.

Decisão pode beneficiar brasileiros

A mudança também é relevante para brasileiros que enfrentam processos de imigração nos Estados Unidos, especialmente aqueles que aguardam audiências relacionadas a pedidos de asilo, processos de deportação e outras questões migratórias.

Durante a intensificação das operações do ICE, o comparecimento aos tribunais passou a representar uma preocupação adicional para muitos estrangeiros, que temiam ser detidos mesmo quando estavam cumprindo determinações judiciais.

Com o restabelecimento das restrições, a expectativa das organizações de defesa dos imigrantes é que essas pessoas possam comparecer às audiências com maior segurança, sem o risco de serem alvo de prisões rotineiras simplesmente por estarem presentes nos tribunais.

Entretanto, especialistas alertam que a decisão não concede proteção automática contra deportações, não regulariza a situação migratória de estrangeiros e não elimina a possibilidade de detenções em outras circunstâncias.

Organizações comemoram decisão

A ACLU classificou a determinação judicial como uma vitória significativa para os direitos dos imigrantes e para o acesso à Justiça.

Segundo a organização, permitir que agentes federais prendam pessoas que comparecem às próprias audiências cria um ambiente de medo e pode comprometer o funcionamento do sistema judicial.

Representantes das entidades envolvidas no processo também destacaram que os estrangeiros não deveriam ser obrigados a escolher entre comparecer a uma audiência e correr o risco de detenção ou faltar ao compromisso e enfrentar possíveis consequências, incluindo uma ordem de deportação por ausência.

A decisão entrou em vigor imediatamente e representa um novo limite judicial às estratégias de fiscalização migratória adotadas pela administração Trump.

Apesar da mudança, imigrantes que possuem audiências agendadas devem continuar comparecendo aos compromissos judiciais e buscar orientação jurídica individualizada sobre seus processos.

Fonte: Da redação

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