Uma mãe guatemalteca com residência permanente legal nos Estados Unidos entrou com uma ação contra o governo federal após uma abordagem do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) perto do Tribunal Distrital de Chelsea, em Massachusetts. Hilda Ramirez Sanan afirma que agentes mascarados quebraram os vidros do veículo em que estava, a retiraram à força e a imobilizaram no chão diante dos filhos.
O processo foi apresentado na quarta-feira, 28 de outubro, à Justiça Federal de Massachusetts. Os dois filhos de Hilda, cidadãos americanos, também integram a ação, que apresenta alegações de detenção ilegal, agressão e danos emocionais decorrentes do episódio, ocorrido em setembro de 2025. Justia
Segundo Hilda, que vive nos Estados Unidos há cerca de 25 anos e tem green card, os agentes ignoraram suas explicações sobre a situação migratória da família e sobre o autismo do filho, que tinha 13 anos na época. Ela relata ter perdido a consciência durante a abordagem.
“Eu só estava tentando proteger meu filho, porque via que estavam levando ele para o lado, fazendo perguntas, e ele não sabe o que é perigo”, afirmou. “Eu temia pela vida dele, pelo que poderiam fazer com ele ou pelo que aconteceria se ele saísse correndo.”
De acordo com os advogados da família, o adolescente foi retirado do carro e questionado sobre sua situação migratória, apesar da idade e da identificação de pessoa com deficiência visível no veículo. A filha de Hilda chegou ao local durante a abordagem e também teria sido contida por um agente ao tentar se aproximar da mãe e do irmão. lawyersforcivilrights.org
Hilda afirma que, enquanto estava no chão, ouvia gritos, mas não conseguia acompanhar o que acontecia com os filhos.
“Eu estava com medo pelos dois, porque, quando estava no chão, só conseguia ouvir os gritos ao meu redor e não conseguia ver o que estava acontecendo”, relatou.
Segundo a família, policiais de Chelsea intervieram e solicitaram que os agentes federais verificassem os documentos de Hilda. Após a checagem, ela foi liberada. A intervenção da polícia local também é descrita pelos representantes da família no anúncio da ação. lawyersforcivilrights.org
“Sou muito grata por nossos policiais locais estarem lá para nos ajudar, para nos libertar, porque, se não tivessem chegado a tempo, não sei o que teria acontecido”, disse.
A mãe relata que continua sofrendo com os efeitos emocionais do episódio. “Eu vou dormir e acordo gritando por causa dos pesadelos”, afirmou. Ao pedir justiça, ela também criticou o tratamento dado a imigrantes durante operações federais.
DHS apresenta versão diferente
Em comunicado, o Departamento de Segurança Interna (DHS), responsável pelo ICE, contestou o relato sobre a operação e acusou a imprensa de divulgar uma versão falsa.
“O ICE não tentou prender Hilda Ramirez Sanan. Os fatos são que o ICE tinha como alvo e prendeu Jose Ramirez-Perez, um imigrante da Guatemala em situação irregular, acusado de atentado ao pudor, agressão e crime sexual contra uma criança”, declarou o departamento.
O DHS afirmou que Ramirez-Perez havia sido liberado pela polícia local em razão de políticas de cidades-santuário. Embora o comunicado tenha usado a expressão “estuprador de crianças” para descrevê-lo, o texto menciona acusações e não informa uma condenação.
Segundo o órgão, os ocupantes do veículo esconderam Ramirez-Perez no assoalho, onde os agentes o teriam identificado ao avistar sua tornozeleira eletrônica. O departamento sustentou que apenas ele foi preso.
“O motorista e o passageiro se recusaram a cumprir as ordens dos agentes. Nossos policiais usaram a força proporcional necessária para realizar a prisão”, afirmou o DHS.
O departamento também responsabilizou políticos favoráveis às políticas de cidades-santuário pelos riscos da operação, argumentando que a prisão deveria ter ocorrido por meio de uma transferência segura de custódia.
Os advogados da família contestam essa justificativa e afirmam que as fotografias e os vídeos apresentados à Justiça contradizem a versão do ICE sobre o tratamento dado a Hilda e aos filhos. A ação busca responsabilizar o governo federal pelos danos que a família atribui à abordagem.





