Da redação
Manifestantes se reuniram no Riverside Park, em New Bedford, Massachusetts, para protestar contra as operações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) e exigir o fim das detenções de imigrantes realizadas pelo governo do presidente Donald Trump. O ato, realizado no sábado, foi organizado pela LUCE, rede de organizações que atuam na defesa dos direitos dos imigrantes em Massachusetts.
Com o lema “Free Them All” (Libertem Todos), os participantes criticaram as ações federais de fiscalização migratória e defenderam mudanças profundas no sistema de imigração americano. Durante a manifestação, também foram levantadas reivindicações pelo fim das atividades do ICE, agência responsável por operações de fiscalização e deportação no interior dos Estados Unidos.
Um dos momentos mais emocionantes do protesto foi o depoimento de Daniela Villanueva, que relatou as consequências da deportação de sua mãe pelo ICE. Segundo ela, a separação familiar fez com que fosse encaminhada ao sistema de acolhimento de menores.
“É algo muito doloroso ver seus pais naquela situação e saber que você não pode fazer nada. Você se sente impotente”, declarou Daniela, ao descrever o impacto emocional provocado pela deportação.
A manifestação também contou com a participação de Andrea James, candidata independente ao governo de Massachusetts, que declarou apoio à proposta de extinguir o ICE. Durante seu discurso, ela afirmou que o estado precisa da diversidade, da força de trabalho e da contribuição das famílias imigrantes, além de políticas migratórias que considera justas e equilibradas.
O protesto ocorreu após uma operação migratória realizada no final de setembro na região conhecida como South Coast, que inclui cidades como New Bedford, Dartmouth e Fall River.
Segundo informações divulgadas posteriormente pelo ICE, a operação resultou na prisão de 82 imigrantes que, de acordo com a agência, estavam irregularmente nos Estados Unidos.
As autoridades federais afirmaram que muitos dos detidos possuíam antecedentes criminais envolvendo agressões, crimes sexuais contra menores, extorsão e outras infrações. Entretanto, representantes de organizações comunitárias e autoridades locais questionaram os métodos utilizados durante as abordagens.
Inicialmente, lideranças locais divulgaram números inferiores aos apresentados posteriormente pelo ICE e alegaram que parte dos detidos não possuía histórico de crimes graves. Os críticos também denunciaram os efeitos das operações sobre famílias e comunidades imigrantes.
As diferentes versões sobre o perfil dos presos e a condução das operações ampliaram o debate sobre a fiscalização migratória na região.
Organizações prometem manter pressão sobre autoridades
A LUCE, coalizão formada por organizações lideradas por imigrantes, informou que continuará mobilizando a comunidade e pressionando autoridades municipais e estaduais por mudanças nas políticas de imigração.
O grupo também mantém uma linha telefônica regional destinada ao recebimento de relatos sobre possíveis operações e avistamentos de agentes do ICE.
Os organizadores afirmaram que pretendem intensificar a mobilização antes do dia das eleições, buscando ampliar a participação da população nas discussões sobre direitos dos imigrantes e fiscalização federal.
A manifestação em New Bedford reflete a crescente tensão entre as medidas de fiscalização migratória adotadas pelo governo Trump e organizações que defendem maior proteção às comunidades estrangeiras nos Estados Unidos.
Enquanto o governo federal sustenta que as operações são necessárias para aplicar a legislação migratória e reforçar a segurança pública, ativistas argumentam que as ações também atingem famílias e trabalhadores sem antecedentes criminais graves, provocando insegurança e separações familiares.





