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Operações do ICE em Danbury aumentam medo e preocupação entre brasileiros em Connecticut

Da Redação As recentes operações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) em Danbury, Connecticut, acenderam um alerta especialmente entre os brasileiros que vivem na cidade e em outras regiões do…

Publicado em 09/23/26
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Operações do ICE em Danbury aumentam medo e preocupação entre brasileiros em Connecticut

Da Redação

As recentes operações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) em Danbury, Connecticut, acenderam um alerta especialmente entre os brasileiros que vivem na cidade e em outras regiões do estado. Detenções em diferentes pontos, agentes circulando em veículos sem identificação e relatos de abordagens próximas a escolas e pontos de ônibus escolar provocaram medo entre famílias imigrantes e alteraram a rotina da comunidade.

Danbury possui uma das mais expressivas comunidades brasileiras de Connecticut. Brasileiros trabalham, mantêm empresas, frequentam igrejas e criam seus filhos na região, dividindo a cidade com outras importantes comunidades imigrantes, entre elas portugueses e equatorianos.

A repercussão das operações ganhou força após a publicação de um artigo de opinião do escritor Rob Okun, distribuído pelo PeaceVoice e publicado pelo Daily Hampshire Gazette. No texto, Okun faz duras críticas às ações do ICE e afirma que as operações transformaram Danbury em um ambiente de intimidação para famílias imigrantes.

O autor utiliza linguagem forte e chega a fazer comparações com perseguições ocorridas na Alemanha nazista. Também transforma a sigla ICE em “Immigrant Cruelty Enforcers”, expressão que poderia ser traduzida livremente como “Agentes de Crueldade contra Imigrantes”. Essas definições, porém, representam a opinião de Okun, e não uma caracterização jornalística ou oficial da agência federal.

As ações migratórias ganharam intensidade no final de agosto. Em 24 de agosto, a Connecticut Public acompanhou detenções realizadas em Kennedy Park e recebeu informações sobre agentes federais atuando em diferentes regiões de Danbury. Alguns estavam mascarados e utilizavam veículos sem identificação.

A Associated Press informou posteriormente que mais de 50 pessoas foram detidas em Danbury durante a ofensiva migratória. O ICE anunciou ainda que uma operação de quatro dias realizada no sul de Connecticut terminou com 118 imigrantes presos.

Para a comunidade brasileira, o impacto vai além daqueles que eventualmente tenham sido alvo direto das autoridades. O medo das operações passou a fazer parte da rotina de famílias que precisam sair diariamente para trabalhar, levar os filhos à escola, fazer compras ou cumprir outros compromissos.

 

Prisão após criança embarcar em ônibus gera polêmica

Um dos episódios de maior repercussão aconteceu em 26 de agosto e envolveu o equatoriano Leonel Geovanny Morocho-Arteaga.

A advogada do imigrante afirmou que ele foi abordado por agentes federais depois de colocar o filho no ônibus escolar. Inicialmente, o Departamento de Segurança Interna (DHS) contestou a versão e declarou que a prisão não havia ocorrido nas proximidades de um ponto de ônibus.

Imagens das câmeras de um ônibus escolar obtidas posteriormente pelo CT Insider, entretanto, mostraram a operação acontecendo a menos de um quarteirão do veículo escolar, momentos depois do embarque das crianças. O registro colocou novamente em discussão a versão apresentada inicialmente pelas autoridades federais.

O episódio provocou preocupação justamente por envolver uma situação comum a milhares de famílias imigrantes — levar uma criança para a escola.

Morocho-Arteaga foi liberado pelo ICE ainda naquele dia, depois que seus representantes recorreram à Justiça.

 

Centenas de crianças faltaram às aulas

O medo provocado pelas operações também chegou às escolas de Danbury. Dados divulgados pelas autoridades educacionais mostram que 847 estudantes faltaram às aulas em 27 de agosto. Nos primeiros dez dias do ano letivo, a média superou 690 ausências por dia.

A superintendente das escolas públicas de Danbury, Kara Casimiro, relacionou parte do aumento das faltas à preocupação das famílias com as operações migratórias.

Para uma cidade onde muitas crianças são filhas de brasileiros e de outros imigrantes, os números ajudam a demonstrar como uma operação de imigração pode produzir consequências mesmo dentro de famílias que não foram diretamente abordadas pelo ICE.

 

Comerciantes imigrantes também reagiram

A apreensão chegou ao comércio local. Em 2 de setembro, dezenas de estabelecimentos ligados a imigrantes fecharam as portas durante uma mobilização denominada “Dia sem Imigrantes”.

Segundo o artigo de Rob Okun, mais de 60 estabelecimentos participaram do movimento. Moradores, trabalhadores, líderes religiosos e defensores dos direitos dos imigrantes também se mobilizaram contra a maneira como as operações estavam sendo realizadas.

O prefeito de Danbury, Roberto Alves, brasileiro que chegou aos Estados Unidos ainda criança, também esteve entre as autoridades que manifestaram preocupação com as ações migratórias na cidade.

Fonte: Brazilian Times

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