Da redação
Uma policial da cidade de Savannah, no estado da Geórgia, foi demitida após uma investigação interna revelar que ela permitiu que seu marido, agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), utilizasse suas credenciais para acessar um sistema de rastreamento de veículos. A ex-policial Amber Harpe forneceu seu nome de usuário e senha ao marido, Tyler Harpe, que realizou centenas de pesquisas relacionadas a pessoas investigadas pelas autoridades migratórias. O caso ganhou repercussão nacional após a divulgação de documentos e gravações obtidos pela emissora WJCL.
Segundo os registros oficiais, entre janeiro e julho de 2026 foram realizadas 983 consultas envolvendo 97 placas de veículos registrados em seis estados: Geórgia, Flórida, Nova Jersey, Maryland, Carolina do Norte e Carolina do Sul. Somente neste último estado, foram contabilizadas 788 pesquisas relacionadas a 48 placas. Os investigadores identificaram que a maioria dos proprietários dos veículos analisados era de origem hispânica, levantando preocupações sobre o uso de informações policiais em operações de fiscalização migratória.
O sistema utilizado, conhecido como Flock Safety, reúne informações captadas por câmeras capazes de identificar placas e registrar a circulação de veículos. Durante os depoimentos, Tyler Harpe reconheceu que utilizava o acesso da esposa porque não possuía uma conta própria disponibilizada pelo Departamento de Segurança Interna (DHS). Ele afirmou que as consultas tinham como objetivo localizar pessoas que já eram investigadas pelo ICE e possuíam mandados de prisão, negando qualquer utilização para interesses pessoais.
A investigação concluiu que Amber Harpe violou as normas de segurança do Departamento de Polícia de Savannah ao compartilhar suas credenciais com uma pessoa não autorizada. Embora a legislação estadual permita o compartilhamento de determinados dados entre órgãos de segurança, a corporação destacou que isso não autoriza o uso da conta individual de outro policial. A demissão entrou em vigor em setembro, depois que a ex-agente tentou contestar administrativamente a punição. Ela não foi acusada criminalmente pelo episódio.
O caso também chamou a atenção porque o Departamento de Polícia de Savannah compartilha informações do sistema Flock com mais de 1.700 agências de segurança, mas o ICE não está entre as instituições autorizadas a acessar diretamente esses dados. A corporação ressaltou que o uso irregular de ferramentas de vigilância compromete a segurança das informações e a confiança da população nas autoridades. O próprio ICE confirmou que investiga a participação de seu agente no episódio.
Apesar das centenas de consultas identificadas, não há confirmação pública de quantas pessoas foram localizadas ou presas em consequência das pesquisas. Também não foi demonstrado que todos os proprietários dos veículos eram imigrantes indocumentados. O episódio reacendeu discussões sobre os limites do compartilhamento de informações entre polícias locais e autoridades federais de imigração, especialmente quando tecnologias de vigilância permitem acompanhar deslocamentos de pessoas em diferentes estados americanos.





